Não se sustenta: a maior parte das casas da Vila Autódromo na beira da Lagoa de Jacarepaguá manteve faixa sem ocupação de preservação ambiental. Os moradores elaboraram projeto para garantir recuo das casas e construções que ainda se encontram na área de preservação permanente, que atinge menos de 5% da área da comunidade. Casas construídas com dedicação, com recursos disponíveis por cada morador, e exercendo o direito à cidade e direito à moradia, não podem ser acusadas de causar dano estético e visual à cidade!
A comunidade não está em área de risco. Ao contrário, mapa da Geo-Rio mostra que o terreno para onde a Prefeitura pretende deslocar os moradores apresenta áreas de alto e médio risco, além de grandes fragilidades ambientais.
A mobilização dos moradores da comunidade tornou público seu direito à permanência. Moradores possuem Concessão de Direito Real de Uso, e resistem às pressões da prefeitura. Os jogos aconteceram, com todas as instalações necessárias, sem necessidade de expulsar uma família de sua casa.
Os moradores resistiram, e afirmaram seu direito. Não tem sentido remover praticamente 500 famílias de suas casas, de suas histórias de vida, para a construção de instalações temporárias para a mídia. Projeto para o Parque Olímpico, vendedor de concurso internacional, demonstra que há mais que área suficiente para abrigar um centro de mídia nos 1,18milhões de m2 de área pública concedida à iniciativa privada para as instalações.
Em nenhum documento dos compromissos assumidos entre o Governo Brasileiro e o COI à menção específica à Vila Autódromo. Outros condomínios residenciais encontram-se na mesma proximidade com a área prevista para a construção do Parque Olímpico. E rapidamente veio à público que a Vila Autódromo é um dos poucos bairros populares que não está submetido a traficantes ou milícias.(veja vídeo de entrega de notificação ao COI sobre remoções forçadas causadas pelas Olimpíadas 2016).
Projeto para o Parque Olímpico, vencedor de concurso internacional promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, mantém a Vila Autódromo, reconhecendo a comunidade como Área Especial de Interesse Social, mostrando mais uma vez, que Jogos Olímpicos e Moradia Social são plenamente compatíveis.
Em todos os projetos e imagens apresentados publicamente pela prefeitura dos traçados da Transolímpica e Transcarioca a ligação não existe nessa localidade. Inclusive no Relatório Ambiental Simplificado, da Transcarioca já em obras, o traçado nem passa perto da Vila Autódromo. Essa alteração, irregular diante dos procedimentos de licenciamento ambiental, somente foi apresentada quando a prefeitura teve que buscar mais uma justificativa para a ilegal e injustificável remoção da comunidade.