Articulação Nacional

Articulação Nacional

Em 2007, quando o Brasil foi eleito para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2014, houve festa no país. Muita gente celebrou a chance de ter o maior evento esportivo do mundo em sua cidade, ainda que na época não se soubesse quais as cidades-sede.

Mas desde então já haviam vozes discordantes. Em uma crônica para a revista Carta Capital escrita em 14 de novembro do mesmo 2007, e reproduzida no link mais abaixo, Sócrates, o Magrão, capitão da seleção na Copa de 1982, representante da Democracia Corinthiana, já questionava a quem serviria essa Copa.

Coincidentemente ou não, em 2010, quando da formação dos primeiros Comitês Populares da Copa, o slogan escolhido para representar o movimento de contestação ao megaevento foi "Copa pra quem?", exatamente o mesmo título da crônica que o Doutor escrevera três anos antes.

Nas palavras de Sócrates, “qualquer evento esportivo acontece por si só. É só a bola rolar que as atenções se direcionam para o campo e esses "requintes" se esvaem e depois são esquecidos com a avalanche de informações direcionadas – especialmente as veiculadas pelo império midiático, onipresente e onipotente no futebol, e que tem papel fundamental no atraso das instituições esportivas. Sempre foi assim no Brasil, não é?

O que interessadamente ignoram, e querem que ignoremos, é o potencial mobilizador e transformador social desse fenômeno jogado com os pés. Essa é a legítima função do futebol, e que, se aflorasse, não encontraria limite para transformar realidades, integrar culturas e pessoas, formar cidadãos e consciências, enfim, servir de vetor do desenvolvimento e igualdade. Este é o entendimento fundamental que nos falta, a essência que daria sentido a uma Copa do Mundo no Brasil, e que, com esses valores, por beneficiar a todos (benefício verdadeiro, não apenas a felicidade fugaz por assistir a alguns jogos), nos faria, com muito orgulho, merecer tal evento.”

Hoje, a menos de 2 meses do megaevento, o Comitê Popular da Copa-SP se juntou a diversos movimentos sociais da cidade para realizar a II Copa Rebelde dos Movimentos Sociais, no espaço da antiga rodoviária de São Paulo. Uma Copa onde jogaram todos e todas, organizada de baixo e coletivamente, de maneira autônoma e horizontal e que, no lugar de celebrar a festa de poucos representada pela Fifa, se prestou a questionar a violação do direito de muitos realizada pelo poder público para receber o megaevento.

Ao reler a crônica de Sócrates, não nos resta dúvida: a Copa do Povo nela descrita, a “essência que daria sentido a uma Copa do mundo no Brasil” é a Copa Rebelde.

Vida longa às organizações populares! Vida longa à Copa Rebelde, cujo taça deveria se chamar Troféu Sócrates Brasileiro!

Comitê Popular da Copa-SP

São Paulo, 17 de abril de 2014.

 

Para ler a crônica de Sócrates de 2007: http://www.cartacapital.com.br/edicoes/470/copa-2014-para-quem/

 

Para saber mais sobre a Copa Rebelde: http://coparebelde.wordpress.com

 

Qua, 23 de Abril de 2014 08:06

O grande legado da Copa e das Olimpíadas 5

Ter, 22 de Abril de 2014 08:04

O grande legado da Copa e das Olimpíadas 4

Seg, 21 de Abril de 2014 08:02

O grande legado da Copa e das Olimpíadas 3

Dom, 20 de Abril de 2014 06:54

O grande legado da Copa e das Olimpíadas 2

Dom, 20 de Abril de 2014 00:51

O grande legado da Copa e das Olimpíadas


Enquanto uns estão ansiosos pela copa 2014, outros continuam angustiados.

No Encontro dos Atingidos , organizado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, pessoas de todas as cidades-sede desse megaeventos esportivos irão estar juntas.

FORMAÇÃO e TROCA DE EXPERIÊNCIAS

A proposta é possibilitar um momento de formação política de pessoas direta ou indiretamente atingidas pela copa e olimpíadas (a ser realizada no RJ). Moradores e moradoras de diversas comunidades, favelas e bairros do Brasil se unem para fortalecer a luta contra a violação de direitos.

COMITÊS POPULARES DA COPA

Organizados nas 12 cidades com uma articulação nacional, os Comitês Populares da Copa acompanham as intervenções nas cidades desde 2009 e acumulam conhecimento crítico e embasado sobre os impactos dos megaeventos no país. Agora chega a hora de trocar experiências e organizar ainda mais a luta.

QUEM PARTICIPA

Movimentos sociais e organizações parceiras. Os interessados em participar sugerimos entrar em contato através do e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. para mais informações e formas de participação ou entrar em contato direto com os comitês populares na cidades-sede.

De 1 a 3 de maio, em Belo Horizonte

 

 

 

 

 

Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa

No último dia 24 de março, o Governo Federal, em parceria com as cidades e estados sede da Copa do Mundo, lançaram a chamada “agenda de convergência” de proteção de Crianças e Adolescentes durante a Copa. Seria cômico, se não fosse trágico.

Desde a escolha do Brasil como país sede da Copa do Mundo, percebemos a preocupação da FIFA e dos Governos com um conjunto de obras, anunciados como “legados da Copa para o Brasil”: estádio, aeroportos e mobilidade, além da fatídica “imagem brasileira” eram anunciados como importantes conquistas, como se um país de governantes sérios precisasse de um Mega Evento pra cumprir com suas responsabilidades sociais.

Em pouco tempo, os verdadeiros legados foram aparecendo: os Estádios tornaram-se fonte da morte de trabalhadores, elitização do esporte e bilionários roubos aos cofres públicos. Os aeroportos foram privatizados e as obras de “mobilidade” que na maioria dos locais só atendem ao eixo turístico da cidade, serviram para destruição de moradias, expulsão de camelôs, artistas e moradores de rua, privatização dos espaços centrais e o fortalecimento do carro como principal modal.

Ao longo do tempo, em especial após a Copa das Confederações uma nova preocupação surgiu na agenda da FIFA, Governos e seus comparsas patrocinadores: a “segurança” do evento. Afinal, como bem disse os dirigentes da FIFA, a Copa do Mundo funciona melhor em países onde a democracia é menor. Para nós, a organização e o protesto são o exemplo máximo da democracia e da liberdade de expressão: as leis de exceção, o enorme fortalecimento do aparato repressivo, a criminalização da juventude e dos movimentos sociais passaram a ser a preocupação numero um para que esta seja a “Copa das Copas”. Bilhões também estão sendo gastos nesta frente.

Todavia, se a segurança da FIFA, patrocinadores e turistas frente à população brasileira está garantida com total prioridade, o mesmo não se pode dizer da segurança de nossas crianças e adolescentes frente às violações que ocorrerão, em especial frente aos turistas:

A primeira violação do Governo Federal, seguido pelos estaduais, foi decretar férias em toda a rede escolar durante a Copa. E isto para evitar o “caos” no transito das cidades sedes. Assim, crianças e adolescentes não só ficarão sem o acesso à merenda e a oportunidade pedagógicas de trabalhar os países participantes na rede de ensino, como ficarão com tempo ociosos, alvos da propaganda ufanista que próprio Governo e patrocinadores pretendem imprimir e, portanto, sendo chamados a participar de uma festa que lhes é negada. Afinal, a totalidade dos(as) alunos(as) da rede pública do país não tem ingressos para assistir os jogos.

Assim, enquanto seus pais talvez tenham que trabalhar até dobrado em algumas áreas, crianças e adolescentes Brasil afora já estão sendo alvos das máfias do aliciamento. Durante a Copa, serão convidadas para acompanhar os turistas em jogos, nas fan fests, em passeios pela cidade. Serão convidadas para promoção de camisas autografadas, lhes serão prometidas seção de fotos com os craques de todo o Mundo. O convite da exploração sexual é sempre tentador. Meninas serão chamadas a desfiles das rainhas/princesas da Copa exibindo seus corpos para serem selecionados para a rede de tráfico internacional.

Qualquer cidadã(o) pode imaginar estas cenas ocorrendo no cotidiano. Somente os Governos não se preocuparam com elas. E à isto se seguiram as outras violações:

a) Enquanto a rede de repressão social cresceu, a rede de proteção a criança e adolescente continua sendo tratada com migalhas do orçamento público. Em nenhum momento aumentou-se o orçamento a esta área;

b) Diversas foram as iniciativas de formação e capacitação de profissionais para a rede turística do país. Em nenhum destes eventos, tratou-se de explicar os mecanismos de perceber uma violação existindo, as formas de denuncias e a proteção do trabalhador contra o assédio moral de patrão e clientes que defendem o silêncio frente a exploração em nome do lucro e desejo sexual para com as adolescentes;

c) O calendário escolar não foi refeito mesmo após inúmeros protestos e denuncias. O carro continua sendo mais importante que a educação.

d) Não houve campanha de conscientização nas escolas. Estas tampoucas ficarão abertas durante a Copa para tentar entreter alunos(as) durante os jogos. Toda a preocupação do entretenimento também está voltada aos turistas e ao lucro dos patrocinadores.

e) O material “Futebol pela saúde”[1] produzido pela FIFA e distribuído aos professores do ensino fundamental nas cidades sede da Copa do Mundo, com apoio dos Ministérios da Saúde, Educação e Esporte, representa um retrocesso no debate sobre HIV e a AIDS no Brasil. Na medida em que recomendam aos professores que ensinem às crianças o valor da abstinêncial sexual e da fidelidade ao parceiro, como prevenção ao HIV e à AIDS, o que vai em contra todas as orientações de políticas públicas brasileiras, além de menosprezar os direitos humanos das pessoas vivendo com HIV/ AIDS;

f) As polícias e governos fiscalizam, mapeiam, inventam mentiras e ameaçam de prisão todas(os) aqueles(as) que ousarem gritar contra a Santa Copa do Mundo. Porém, até o presente momento nenhuma máfia da exploração de adolescentes foi capturada. Porque será? Será que a rede do tráfico internacional não acredita no “potencial” brasileiro, mesmo após as camisas da Adidas? Ou porque não existe esta prioridade das secretarias de seguranças “públicas” dos turistas?

g) Pra completar o conjunto das violações, a própria Secretaria de Direitos Humanas, lança uma agenda que prevê apenas três medidas:i) alguns locais de concentração de atividades; ii) plantão integrado durante os jogos e iii) alguns materiais de campanha e alerta, completamente insuficiente!!!

Ora.. a experiência da Copa das Confederações já mostrou que este plantão não serve de nada. E, ainda que servisse, a preocupação dos Governos não é que uma violação não ocorra, mas simplesmente tentar remediar uma violação com políticas que não gastem recursos que agora são destinados a combater as manifestações.

A ANCOP vem a público responsabilizar todos os governos envolvidos com a Copa, bem como a FIFA e seus patrocinadores por todas as violações que ocorrerão à crianças e adolescentes. Por cada criança abusada, por cada adolescente traficado. Assim como em todas as outras áreas, os legados da Copa são restrição de direitos da nossa população.

Entendemos que também aqui se perdeu uma oportunidade de crescer e avançar nos direitos. Porém, ainda é possível fazer alguma coisa séria, e que não seja uma mera peça mentirosa de propaganda, como esta agenda. Exigimos:

a) campanhas prioritárias em toda a rede hoteleira, dentro e foras dos estádios, em pontos turísticos e veiculadas em rede nacional e em horário nobre alertando que exploração sexual de crianças e adolescentes é crime;

b) o fortalecimento dos conselhos tutelares e de toda a rede de proteção não só durante a Copa;

c) campanhas de conscientização nas escolas;

d) A abertura de todas as escolas da rede pública e criação de atividade de integração com os(as) alunos(as) e a comunidade;

e) A integração da Polícia Federal com as polícias rodoviária e civil no sentido de diminuir a atuação das grandes máfias da exploração e do tráfico de pessoas;

f) A garantia de que adolescentes possam exercer seu protagonismo participando livremente das mobilizações sem sofrerem abusos da repressão policial;

g) A garantia de que agora em diante, os princípios estabelecidos no Estatuto da Criança e Adolescentes (ECA), em especial o que exige prioridade absoluta para os direitos (e não para os Mega Eventos) possam valer de verdade;

h) Repudiar e retirar urgentemente todo material da FIFA, em parceria com o Governo Federal, entitulado “Futebol pela Saúde”;

i) Politicas públicas e programas de orientação para crianças e adolescentes nas regiões de obras ligadas a grandes eventos e projetos.

j) J) Alteração da Recomendação 13 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que estabelecem que crianças de 12 anos podem trabalhar como gandulas nas partidas de futebol.


[1] http://pt.fifa.com/worldcup/news/newsid=2150414/
http://pt.fifa.com/aboutfifa/footballdevelopment/medical/footballforhealth/session3.html

Ter, 11 de Março de 2014 18:06

NÃO VAI TER MOBILIDADE?

Um dos legados prometidos pela Copa foram as obras de mobilidade urbana. Apresentadas como a solução para o trânsito e como essenciais para a realização dos jogos, foram tocadas às pressas e sem planejamento. Resultado: muitas delas colocam a população em risco. As obras "para turista ver" têm demonstrado que a Copa foi apenas a justificativa para direcionar as melhorias que toda a população precisa, apenas para uma parcela da cidade.

Dom, 09 de Março de 2014 18:04

NÃO VAI TER RESPEITO?

A Lei Geral da Copa e suas correlatas aprovadas nas Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas atacam nossos direitos constitucionais. Entre eles: direito a livre circulação, ao trabalho e ao acesso à justiça. A criação de um tribunal exclusivo para julgar os crimes nos arredores dos Estádios é um abuso sem precedentes. Não podemos aceitar que nosso País se curve, que abra mão da sua soberania e da história de lutas e conquistas do povo, apenas para favorecer a Fifa.

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