Articulação Nacional

Articulação Nacional

Os protestos que eclodiram pelo Brasil às vésperas do início da Copa das Confederações, em junho passado, tiveram um impacto direto na imagem do torneio e da Copa do Mundo na mente do brasileiro. A conclusão, que se antes era perceptível pelas conversas no dia-a-dia, agora está em números.

Na próxima semana a empresa de informação e pesquisa Nielsen vai divulgar um relatório sobre a relação dos consumidores com a Copa das Confederações e os patrocinadores do evento. O blog obteve em primeira mão alguns dos resultados desse levantamento.

Os resultados são alarmantes para as empresas que pretendem trabalhar sua comunicação para o Mundial de 2014.

A pesquisa foi rodada em julho, após o término do torneio e com o Brasil campeão, nas seis cidades-sedes da Copa das Confederações (Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador) e também na cidade de São Paulo, a maior do país. Ao todo foram ouvidas 1.420 pessoas, que falaram sobre o apoio ao evento e às marcas, os hábitos durante a realização dos jogos e o que se lembravam das ações das empresas ligadas ao torneio.

De acordo com a Nielsen, a batata da Fifa assou. E, mais ainda, dos seus patrocinadores.

Na comparação com setembro de 2012, quando a mesma pesquisa foi feita, o brasileiro ficou muito mais desinteressado em relação ao evento e, pior, mais insatisfeito.

Em 2012, 71% das pessoas apoiavam a realização da Copa das Confederações. Após o torneio, o índice caiu para 45%. Pior ainda foi a sensação da relação custo-benefício em organizar a competição. Sendo o “Padrão Fifa” uma das bandeiras levantadas durante os protestos, naturalmente o brasileiro sentiu que o custo de realizar o evento seria muito alto. Se, em setembro do ano passado apenas 33% da população achava que a relação custo-benefício seria ruim, a percepção depois que a competição passou foi ainda pior. Para 61% dos entrevistados, o dinheiro empregado para fazer o torneio não valeu a pena.

A queda mais acentuada no otimismo do brasileiro em relação à Copa do Mundo, porém, se deu naquilo que é o mais atraente para o mercado ao se associar a competição: o engajamento do torcedor com as marcas patrocinadoras. Para o consumidor, esse foi o item que mais mudança aconteceu.

Em setembro de 2012, 67% dos entrevistados diziam que apoiavam as marcas patrocinadoras da Fifa. Em julho de 2013, já sob efeito dos protestos, o índice caiu para alarmantes 32%. Sim, é isso mesmo! Se, antes de o primeiro evento-teste da Fifa ser realizado,  dois terços da população estavam ao lado das marcas patrocinadoras, agora o índice caiu pela metade.

Pior ainda é a associação direta – e negativa – que as pessoas começam a fazer entre a marca e o evento. Em 2012, apenas 3% dos entrevistados achavam que era ruim uma empresa apoiar a Copa. Em julho último, este índice saltou para 22%. Isso traz outro impacto direto que foi medido pela Nielsen. Diminuiu também a vontade de comprar produtos dos patrocinadores oficiais da competição. Em 2012 o índice era de 58% e, agora, é de 31%.

A ida do brasileiro às ruas deixou diversos pontos de interrogação na cabeça de todos. Está claro que temos diversas reivindicações a serem feitas, cada qual com seu sentimento isolado. Se, antes de a Copa das Confederações começar, o alvo foi o aumento nas tarifas de transporte público, agora já são diversos e distintos motivos que levam o brasileiro a reclamar.

O grande ponto que se coloca é o que vai acontecer dentro de um cenário de Copa do Mundo, em que geralmente a cobertura da mídia é muito maior e o estardalhaço feito contra os gastos ligados à competição também.

Nesse último mês desde o término da Copa das Confederações, as marcas começaram a trabalhar o planejamento para 2014. O grande ponto de interrogação é saber qual será o comportamento do brasileiro em relação à Copa, à Fifa, etc. Pela pesquisa da Nielsen já dá para saber que há um problema pela frente, que é fazer o torcedor querer a marca mesmo com toda a situação que se apresenta no país.

Nesse sentido, a própria realização da Copa das Confederações como um evento-teste ajudou. Se, antes de o torneio começar, a preocupação era com o time brasileiro, e não com o país, agora os papéis se inverteram. Ficou claro que, dentro de campo, o torcedor comprou a seleção. A chave é trabalhar isso daqui até 12 de junho de 2014.

Extraído de: http://negociosdoesporte.blogosfera.uol.com.br/2013/08/08/pesquisa-mostra-que-brasileiro-fica-descrente-com-copa/

NOTA PÚBLICA

A vitória final ainda está por vir: por um Maracanã Público e Popular

O momento é de comemoração. Após mais de dois anos de luta contra o custo das reformas, a elitização, a privatização, as ilegalidades do processo e as demolições previstas para o Complexo do Maracanã, as vitórias começam a aparecer.

A permanência do Parque Aquático Julio Delamare, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e da Escola Friedenreich, bem como a retomada da Aldeia Maracanã por indígenas que defendem aquele espaço desde 2006 são resultados do esforço e da valentia de muitas pessoas e grupos que foram às ruas e lutaram por direitos e por uma cidade mais justa. Estamos todos em comemoração!

Mas é preciso lembrar: temos que seguir atentos e fortes. O momento é ainda de muita luta. A reação do consorcio Maracanã S/A, que soltou nota afirmando que “permanece à frente da concessão do Maracanã e que vai encontrar uma alternativa à sua viabilização e continuidade”, é uma afronta ao sentimento de todos os brasileiros que questionam o absurdo contrato de privatização.

O Maracanã, que nunca deixou de ser um símbolo nacional em função do futebol e da participação popular, nos últimos tempos serviu como modelo máximo de uma política excludente, sem transparência e corrupta. As seguidas reformas, que consumiram quase dois bilhões de reais, e sua venda por migalhas (o consórcio pagaria R$ 5,5 milhões por ano ao governo para lucrar por 35 anos com o estádio) não passaram despercebidos, como talvez imaginassem o governador Sérgio Cabral e o secretário da Casa Civil Régis Fichtner.

Também não passaram despercebidas as ilegalidades do processo de privatização, que é questionado na Justiça. Os casos se acumulam: o favorecimento à empresa IMX, de Eike Batista, que preparou o edital de concessão no qual ela mesmo concorreu e ganhou; a farsa da “audiência pública” em novembro de 2012; e o valor pago, que não recupera nem 15% do que foi investido em reformas. A população está atenta e cobra um Complexo do Maracanã público e popular.

Não podemos entender as últimas notícias como a devolução definitiva do Complexo do Maracanã para o povo. O governo do estado foi forçado pelas ruas a abrir mão das demolições, mas ainda se esquiva da anulação da privatização. E, naturalmente, os empresários que se pensam donos de todo aquele espaço vão seguir uma administração que tem somente a perspectiva de fazer altos lucros.

É fundamental a manutenção do pleno uso público do Complexo do Maracanã. Não basta a não-demolição do Julio Delamare e do Célio de Barros, queremos um parque aquático e um estádio de atletismo que sirvam exclusivamente ao esporte, à saúde, ao bem-estar e à educação da população, com o fortalecimento de projetos sociais que atendam a pessoas de todas as faixas etárias. Não podemos deixar que o governo e os empresários tenham a audácia de querer transformá-los em clubes exclusivos e pagos.

Não basta a não-demolição da Friedenreich: a prefeitura deve manter os altos padrões de ensino ali realizados pelos professores e gestores e ouvir as demandas de todo o corpo de funcionários e dos pais de alunos que bravamente defenderam a escola. O mesmo serve para a Aldeia Maracanã, onde as decisões e soluções para o espaço devem ser feitas atendendo aos grupos indígenas que ali formaram uma das histórias mais valentes de resistência e convivência cultural que a cidade já viu.

Não basta, ainda, um ginásio do Maracanãzinho que seja transformado em uma casa de espetáculos de luxo. Sua função é fundamentalmente esportiva, com o treinamento de atletas de alto rendimento e de projetos sociais de inclusão através do esporte, servindo também a eventos de caráter público.

Exigimos a assimilação do Complexo do Maracanã como uma das principais áreas públicas da cidade. Exigimos que o governo entenda que este é um espaço que deve servir prioritariamente ao esporte, à saúde, à cultura, à educação, ao lazer e ao bem-estar do povo carioca. Exigimos que o complexo seja compreendido de forma integrada com os equipamentos públicos e privados do entorno, como a UERJ, a Quinta da Boa Vista, o Museu Nacional, as quadras das escolas de samba, o estádio de São Januário, a Feira de São Cristóvão e o Parque Glaziou, cuja instalação ao lado do Maracanã deve ser retomada pelo governo.

Exigimos, por fim, que o histórico Estádio Mario Filho, após ser descaracterizado de forma criminosa, possa receber novamente todo torcedor brasileiro, independente de poder aquisitivo ou classe social. A magia do estádio do Maracanã, legado de inúmeras gerações que pisaram naquele lugar, só poderá ser resgatada se ele for novamente entregue à população, com a reativação de amplos setores populares que devem ter preços acessíveis fixados de acordo com o salário mínimo, além de cadeiras removíveis, como forma de ampliar a capacidade do estádio e permitir as manifestações festivas e as coreografias que sempre caracterizaram os jogos no Maracanã.

A não assimilação destas demandas populares é a sinalização de que a mobilização pelo Maracanã deve continuar com força máxima. A rua é nosso lugar e de lá não sairemos até a vitória completa. Governo do estado, Odebrecht, IMX e AEG devem ter consciência disso.

Pela anulação imediata da privatização do Maracanã!
Por um Maraca Público e Popular!
O MARACA É NOSSO!!

Rio de Janeiro, 7 de agosto de 2013.

Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro

 

Visto como grande legado dos megaeventos, o turismo durante a Copa das Confederações não trouxe aumento de receitas para o país:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/07/copa-das-confederacoes-nao-eleva-gasto-de-estrangeiros-no-brasil.html

Qua, 03 de Julho de 2013 15:47

Polícia Militar Pra Quem?

Fonte: Agência Pública, 28/06/2013

Em todo o país haverá protesto na final da Copa das Confederações; em São Paulo, o foco é a desmilitarização da polícia que agride em remoções e atos públicos

A final da Copa das Confederações não será jogada apenas em campo. Fora do gramado do Maracanã, repaginado a um custo de 1 bilhão de reais para abrigar a elite “com ingresso”, os comitês populares da Copa – criados para defender os interesses da população nos megaeventos – preparam manifestações no Brasil inteiro, a começar pelo Rio de Janeiro, a sede da final Brasil x Espanha.

Ali está prevista uma caminhada saindo da praça Saens Peña, na Tijuca, até o Maracanã, com encerramento na Praça Afonso Pena. As principais reivindicações são a imediata anulação da privatização do Maracanã (reformado com dinheiro público), com a reabertura e reconstrução dos equipamentos públicos em seu entorno – o Parque Aquático Julio Delamare, o Estádio de Atletismo Célio de Barros, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Friedenreich – além da devolução da Aldeia Maracanã, o antigo Museu do Índio, simbolicamente ocupado por representantes de diversas etnias.

Igualmente importante é a reivindicação pelo fim das remoções e despejos em nome da Copa e das Olimpíadas – há 11 mil pessoas que correm o risco de perder suas casas no Rio – com destaque para a permanência e urbanização da Vila Autódromo, ameaçada pela construção do Parque Olímpico, e a regularização fundiária do Horto, encravado no bairro nobre do Jardim Botânico.

“Nós estamos abertos ao diálogo com a presidenta e sempre estivemos abertos ao diálogo com os governantes. Entregamos o Plano Popular da Vila Autódromo  ao Eduardo Paes no ano passado e até hoje não tivemos resposta” diz Renato Cosentino, membro da ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares).

Em São Paulo, que não faz parte das cidades-sede da Copa das Confederações mas tem sido um dos principais palcos dos protestos que tomaram o país nas últimas semanas, a principal palavra de ordem do Comitê Popular da Copa (SP Copa) é a desmilitarização da Polícia Militar, com ênfase no protesto contra a criminalização e repressão à população decorrente dos megaeventos. Com essas bandeiras, o comitê pretende fazer um ato no domingo às 15h no Vale do Anhangabaú na Fan Fest, espaço de eventos públicos onde se realizam os jogos da Copa em São Paulo.

A desmilitarização da PM é uma pauta que “atravessa todas a outras pautas dos movimentos sociais no Brasil” diz Juliana Machado, representante do SP Copa. “As remoções forçadas é a polícia que executa; a perseguição aos ambulantes é a polícia que faz, a população de rua é a polícia que age de maneira truculenta, enfim, a própria repressão aos movimentos sociais” explica.

O Comitê Popular da Copa também lançou um manifesto destacando  que “entre 2000 e 2011, foram mais de 4.600 mortos pela PM em São Paulo, considerando apenas as denúncias que chegaram até a Ouvidoria da própria corporação”. E chama a atenção para a expansão dessa violência na onda de protestos do país: já no dia 13 de junho, nas primeiras manifestações, “200 pessoas foram presas e muitas outras feridas – entre elas, 20 jornalistas, com um deles tendo perdido a visão de um olho”.

O que, segundo o manifesto, vai se agravar na Copa 2014. A Força Nacional de Segurança, que reúne polícias militares de diversos estados, esteve presente em 5 das 6 cidades-sede da Copa das Confederações: Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza. Daqui a um ano, essas forças ocuparão as 12 cidades-sede da Copa da FIFA “e as notícias de violência nas manifestações que recebemos hoje certamente se repetirão”, afirma.

Lembrando os acontecimentos recentes em Brasília, em que o recrudescimento da repressão policial contra os manifestantes foi anunciado na segunda-feira passada pelo tenente coronel da PM Zilfrank Antero, Juliana Machado diz: “A gente tá percebendo que as forças armadas estão cada vez mais presentes no cotidiano das cidades, qualquer problema político elas são chamadas a intervir. Mas em vez de coibir a violência, a PM faz parte dessa violência”. E acrescenta: “A PM é uma instituição militar e isso faz com que tenha pouco ou nenhum controle externo”. Ou, como afirma o comunicado: “Porque não se trata de maus policiais ou de falta de preparo: é a própria existência de uma polícia com caráter militar, oriunda da ditadura também militar, que tem que ter um fim.”

Não somos contra o futebol

Criados a partir de 2010, os comitês populares estão presentes nas 12 cidades-sede da Copa 2014. E fazem questão de dizer: eles não são contra a Copa do Mundo e menos ainda contra o futebol. “Para nós o problema maior é que o Estado está se endividando mas não são os setores sociais que estão recebendo os benefícios”, enfatiza Juliana. Por isso o Comitê Popular de São Paulo incluiu uma bola e uma rede para jogar futebol durante o ato de domingo:  a brincadeira é tentar pegar o goleiro vestido de PM de surpresa, chutar a bola e marcar um gol para o povo.

Perguntada como repercutiu entre o movimento o discurso da presidenta Dilma com promessas de maior investimento em transporte, saúde e educação, plebiscito para reforma política e penas mais duras para corruptos, Juliana responde: “Nenhuma das propostas realiza aquilo que a gente precisa, ela prometeu mais dinheiro pro transporte, mas a gente não sabe se vai ser transporte público mesmo. Ela não disse nada em relação à possibilidade do transporte ser gratuito; também falou sobre um plebiscito que pode ser interessante, mas vai ser necessário esclarecer sobre o que vai ser essa reforma política”.

Sobre a posição do governo nos megaeventos é mais dura: “Com relação às demandas da Copa, a presidente mentiu. Disse que não havia gasto público na Copa, mas só no estádio Mané Garrincha houve mais de 1 bilhão de reais, e o Estado brasileiro está se endividando. A presidente deixou de falar sobre a questão da Copa porque a mídia tradicional não está ouvindo a verdadeira pauta dos movimentos sociais – os ambulantes, as remoções, a violência e o uso das forças militares na segurança desses eventos, a criação de zonas de exclusão em torno dos estádios… A presidente simplesmente não ouviu a voz das ruas”.

Além de Rio de Janeiro e São Paulo, os comitês de Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Brasília já têm atividades de protesto programadas para o final da Copa das Confederações. Natal e Belo Horizonte ainda estavam discutindo na sexta-feira eventuais atividades para o domingo. Na capital mineira, após a violência policial durante a semifinal da Copa das Confederações nessa quarta-feira, o Comitê Popular de Atingidos pela Copa (COPAC) propôs uma atividade mais lúdica para o domingo, dia da final da competição. “Vai ter um ato, mas ainda temos que decidir isso na Assembleia Popular Horizontal hoje a noite (sexta-feira)”, diz Amanda Couto, integrante do COPAC.

Remoções, expulsão de ambulantes, gasto público: bandeiras do domingo

Em Salvador, onde ocorre a disputa pelo 3o e 4o lugar, a manifestação seguirá até o estádio Fonte Nova reivindicando transparência nos gastos públicos, legado das obras para a população, liberdade e expressão e trabalho para os ambulantes (com destaque para as baianas do acarajé) e denunciando a “higienização do centro de Salvador”, que segundo o Comitês, tem expulsado moradores de rua e prostitutas.

Na capital gaúcha, o tema central é a luta contra as remoções e está prevista uma caminhada na Avenida Tronco, onde o projeto Corredor Avenida Tronco, ligado à Copa de 2014, ameaça o direito à moradia de 4 mil pessoas, segundo levantamento da Prefeitura de Porto Alegre. Em Curitiba, onde o ato acontece no sábado, as remoções, principalmente da comunidade Nova Costeira, ameaçada pelas obras do aeroporto, também são o foco do protesto. Os moradores não querem sair dali para as unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida, como propõe o poder público. “Os moradores avaliam que as casas do Minha Casa Minha Vida são piores que as casas que eles já tem”, afirma Isabela Cunha, integrante do Comitê.

Em Brasília a manifestação está marcada para às 13h, em frente ao Conjunto Nacional. Entre as pautas dos manifestantes estão: a restituição dos R$ 2,8 milhões gastos na compra de ingressos para a final da Copa das Confederações pela TERRACAP, companhia imobiliária do governo do Distrito Federal; a restituição da verba pública gasta no estádio Mané Garrincha; o fim das remoções; o fim da exploração sexual relacionada ao mundial e a precariedade do transporte público. A manifestação vem sendo organizada pelo Comitê Popular da Copa no Distrito Federal pelo Facebook.

Qua, 03 de Julho de 2013 12:48

Brasilien und der schöne Schein

GENEVA, 14 June 2013 - On the eve of 2013 FIFA Confederations Cup in Brazil, the United Nations Special Rapporteur on adequate housing, Raquel Rolnik, said today: “I acknowledge that mega sporting events can be an opportunity to enhance access to adequate housing, for example, by providing better transportation systems and environmental improvements in the host cities. However, past experience has shown that these events often result in forced evictions, displacement, sweeping operations against the homeless and a general augmentation of the cost of adequate housing.”


“The situation is, unfortunately, not different in Brazil as we speak. We expected that the champion of many football cups would use this opportunity to show the world it is also a champion of the right to housing, in particular for people living in poverty, but the information I have received shows otherwise,” Ms. Rolnik added. 

On 15 June, Brazil will inaugurate the 2013 FIFA Confederations Cup, an international football tournament that serves as a prelude to the 2014 World Cup, also to take place in Brazil. The Olympic Games are also planned in several of the same host cities in 2016. The organization of back-to-back mega events of this kind is at the centre of the urban planning and development policies in the country. 

During the past three years, the independent expert has received allegations of evictions without due process or in detriment of international human rights standards. In various cases, residents have not been consulted and have not had the opportunity to participate in decisions having a grave impact on their standard of living. Concerns have also been expressed about very low compensation that might lead to the creation of new informal settlements with inadequate living conditions or greater rates of homelessness. 

“As I have said many times, including in communications with the State and local authorities in Brazil, they must refrain from forced evictions in the preparation for mega-events. Where evictions are justified, they should be undertaken in full compliance with the relevant procedures and international instruments and guidelines. Above all, authorities should avoid at all costs any negative impacts on then human rights of the individuals and communities, especially the most vulnerable,” the UN independent expert highlighted. 

“Given the large amount of financial resources that is invested in the preparation of these events, priority must be given to plans that create and improve low-income housing, including informal settlement upgrading and regularization. The authorities should ensure that their actions, and those of third parties involved in the organization of the events, contribute to the creation of a stable housing market and have a long term positive impact in the residents of the cities where events take place. Steps must be taken to prevent speculation in housing prices and to deliver more affordable housing.” 

“I call for the adoption of urgent national regulations to guide the activities of local governments and third parties involved in these projects. This is an essential step in the effective preparation and planning for the series of mega-events taking place in Brazil. Just as the world will be watching the football champion, the international human rights community will also be watching how well the housing rights of all are protected in these coming weeks and years”, the Special Rapporteur said. 

ENDS 

Ms. Raquel Rolnik (Brazil) was appointed as Special Rapporteur on adequate housing as a component of the right to an adequate standard of living, and on the right to non-discrimination in this context by the UN Human Rights Council in May 2008. Ms.Rolnik is an architect and urban planner with extensive experience in the area of housing and urban policies.

New York Times

Published: June 17, 2013

 

http://nyti.ms/12FnkXh

quarta-feira, 19/6/2013

 

A PGR ajuizou ADIn no STF para questionar dispositivos da lei geral da Copa (12.663/12) que responsabilizam a União por prejuízos causados por terceiros e por fenômenos da natureza; que concederam prêmio em dinheiro e auxílio mensal aos jogadores das seleções brasileiras campeãs das Copas de 58, 62 e 70; e que isentam a Fifa e suas subsidiárias do pagamento de custas e outras despesas judiciais.

Responsabilidade da União

Quanto ao primeiro dispositivo legal questionado (artigo 23), a PGR aponta que, ao impor à União a responsabilidade civil perante a Fifa, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano que surja em decorrência de incidente ou acidente de segurança relacionado aos eventos (Copa das Confederações e Copa do Mundo), a lei violou previsão constitucional [artigo 37, parágrafo 6º, da CF/88] sobre a responsabilidade da Administração Pública.

"Contrariamente ao dispositivo constitucional, o artigo 23 da lei geral da Copa adota a Teoria do Risco Integral, pois impõe à União a assunção da responsabilidade por danos que não foram causados por seus agentes. O dispositivo impugnado prevê a dispensa da comprovação da falha administrativa, de forma a responsabilizar o ente público inclusive pelos prejuízos decorrentes de atos de terceiros e de fatos da natureza", argumenta a PGR.

Ex-jogadores

O capítulo IX da lei geral da Copa instituiu um pagamento de prêmio único em dinheiro (no valor de R$ 100 mil) e de auxílio mensal aos jogadores das seleções campeãs, que representaram o Brasil nas Copas de 1958, 1962 e 1970. Segundo a PGR, embora o objetivo da medida tenha sido o de recompensar ex-jogadores por conquistas esportivas nacionais históricas, a concessão dos benefícios é inconstitucional.

"As vantagens concedidas são de índole estritamente privada, não envolvendo nenhum projeto de interesse do povo. A situação concreta relacionada com o fato de ser jogador, titular ou reserva, das seleções brasileiras campeãs das copas mundiais masculinas da Fifa nos anos de 1958, 1962 e 1970 não é justificativa suficiente para autorizar o pagamento, a custo do erário, de valores em benefício de determinadas ou determináveis pessoas", argumenta a PGR, acrescentado que a circunstância de o Brasil sediar a Copa de 2014 não justifica, sob o ponto de vista jurídico, o tratamento privilegiado.

Quanto à concessão do auxílio mensal, a PGR entende que este viola o artigo 195, parágrafo 5º, da CF/88. "Os artigos 39, 43 e 44 da lei geral da Copa deixam clara a natureza previdenciária do benefício, que está atrelado ao orçamento da seguridade social do Estado. Não há indicação da fonte de custeio total dos benefícios, mas a simples remissão à figura genérica do Tesouro Nacional (artigo 47), de modo que o benefício foi criado sem anterior previsão financeira", aponta a PGR.

Isenção de custas

Para a PGR, a isenção de custas processuais e outras despesas judiciais à Fifa, suas subsidiárias, seus representantes legais, consultores e empregados (artigo 53 da lei geral da Copa) viola manifestamente o princípio da isonomia tributária, constante do artigo 250, inciso II, da CF/88. A isenção alcança qualquer juízo, a qualquer tempo e para qualquer matéria. "Não é possível vislumbrar nenhuma razão que justifique o tratamento diferenciado da Fifa e de seus relacionados. Nesse sentido, a isenção concedida não se qualifica como um benefício constitucionalmente adequado, mas como um verdadeiro favorecimento ilegítimo", conclui.

Sex, 28 de Junho de 2013 20:32

JUNE 30: JOIN THE ACTS WORLD CUP FOR WHO?

Why the World Cup may be different!

National Coordination of World Cup Popular Committees - ANCOP

Brazil is experiencing a new moment with the popular mobilizations in the streets. Since the beginning of June, our Journey – World Cup for Who? Had joined to the Free Pass Movement and the fights for reducing the rate of public transport, the fight, for the rights to the people and against the model of repression and exclusion that prevails in our country.

In all games of the Confederations Cup so far, we saw the brutal repression of the governments in the interests of FIFA and its sponsors. We reaffirm that all acts that we promoted had the characteristic of peaceful and had no intention to prevent the access of spectators to the stadiums.

We fighting for freedom of speech and expression, but we watched the action of the forces of repression, which resulted in many injured and arbitrary arrests. We believe that the criminalization of acts and some “leadership” are highlights of the dictatorial character of the capitalist state in Brazil.

We understand that the World Cup is a business imposed by FIFA - together with the large conglomerates and accepted by Brazil Government - which violates human rights. Social rights won with great effort in Brazil are being suppressed to conduct this business. We believe that political action is a fundamental right that constitutes us as citizens responsible for building the world, where everyone must be free to have secured his rights, especially speaking and being heard.

Popular mobilizations have been able to reduce rates in cities across the country. For us, only the popular struggle can build a new model of social inclusion and participation, a new city model that rescues the right of those who live in it: the people. In unity and respect the struggles that follow, we invite all the cities of Brazil to join on June 30 in a major mobilization at the end of the Confederations Cup together to reclaim the street: World Cup for Whom?

We will strengthen the fight started in 2010 by Popular Committees organized in 12 cities that host the games in the country, has been supporting social movements and communities in their struggle for rights threatened by the mega events. We've done meetings with governments, elaborate reports on human rights violations and support of several organizations, we can report violations worldwide. In particular, the UN itself has intervened questioning and demanding the stoppage of evictions and the construction of decent housing policy in the country since the Minha Casa Minha Vida and their first derivatives serve the interests of real estate speculation.

The Journey – World Cup for Who? aims to make allegations of violations listed below and require urgent responses of government.

Today 250,000 people are threatened or have been removed from their homes because of some work related to the World Cup (2014) and the Olympics (2016). We therefore believe that the removal should be considered as a last resort, but if they are carried out, each house must first be removed compensated with another in equal or better condition in the same region. We demand the stoppage of all work linked to the Games until the solution of the evictions problem.

In previous editions of the World Games, there was an increase in the sexual exploitation of children and women. We fight for the protection of children, adolescents and women, constant targets of groups interested in sexual exploitation. We require urgently in developing effective measures that meet the prerogatives of the rights of women and childen, with the creation of a National Plan for the Protection of Sexual Exploitation in World Games. In addition, we require that school holidays are not enacted during events to ensure that children have their right to education guaranteed.

The past two years witnessed the destruction of the building stadiums for the construction of billionaire and elitist arenas character in "FIFA standard." From the beginning we pointed out that it was not necessary, to play football, holding almost none of these works. We demand the reversal of the fraudulent and criminal privatization of the Maracanã and stoppage of the process of privatization of other stadiums. We demand that the stadiums built are not privatized and can be used for the promotion of sports and cultural population of each city.

We demand an audit with popular participation in all accounts of the World Cup and the Olympics, since the construction of the stadiums and other works to purchase tickets to political authorities, in view of the use of public money for these works.

We demand the right to job is respected. There is no justification, outside interest earnings of major world monopolies, for the prohibition of the local vendors and artists during games. We reject the requirement of workplace closures or sales of exclusive products of sponsored.

We demand that the Brazilian artistic and cultural creativity is valued and promoted. We want the income World Cup comes to Brazil and our local products are offered to tourists.

We require all of our mascot and symbols that are being used to promote the World Cup not owned by FIFA should be public property and therefore free to use by the people.

We demand that governments stop removing people on the streets of the regions near the stadiums and the inner cities.

We argue that it is still possible to perform a different World Cup. A Cup that first look at the rights of the Brazilian people and then for the requirements of FIFA. A Cup that promotes social inclusion and strengthen the right to the city, instead of a cup that encourages exclusion and privatization of public spaces. We do not want the World Cup is governed by emergency laws that favor the repression.

 

The streets mobilization and solidarity received from the Brazilian national team players and many other artists and sportsmen show that we are many. For this fight, so we go to the streets. Therefore we invite all and all for June 30. Come to the street and question with us: World Cup for Who?