Articulação Nacional

Articulação Nacional

Segue o artigo de Kai Behrmann – um jornalista alemão que tem escrito diferentes matérias sobre os Comitês Populares da Copa e, em especial ela faz uma leitura sobre ações e as atividades dos comitês desde o 1º Encontro dos Atingidos em Belo Horizonte. Vale a pena conferir no arquivo anexo.

O texto que segue faz parte da intervenção realizada em Belo Horizonte (MG) pelo Coletivo Projetação, aos 13 de junho de 2014, ele foi publicado originalmente em Andreira (Por Andreia Costa - 13 de junho de 2014)


Pois bem não vou falar mal da abertura da Copa do mundo, mas vou falar mal da imprensa e da PM. Saí de casa as 11:30 para ir a Praça 7. Fui abordada e tive minha bolsa revistada 2 vezes. Quem conhece o caminho, sabe o quão curto ele é. Enfim cheguei na Praça, fiquei com no movimento até a Praça da Liberdade, passamos pela porta do Othom Palace, abrimos nossas bandeiras os turistas tiraram fotos e fomos embora, rumo a prefeitura depois a praça da LIBERDADE (saca liberdade). Pois bem até aqui foram mais de 4 horas de manifestação, muita música, muitas palavras de ordem e muita abordagem policial desnecessária.

Mas o que é a manchete na imprensa …quebradeira, vandalismo, terror, cinegrafista ferido e vândalos presos.

só em um jornal, no fim da notícia um parágrafo falando dos motivos que estamos nas ruas.

para lembrar estou na rua:
- Pelo fim das remoções forçadas e pela garantia do direito à cidade e à moradia adequada a todos e todas.
- Pelo direito a livre manifestação e contra a criminalização do protesto e dos movimentos sociais.
- Pelo transporte gratuito e de qualidade.
- Pela desmilitarização da polícia, porque uma sociedade justa e democrática não se constrói com morte e repressão
- Pela economia popular exigimos o direito ao trabalho ambulante e a expressão da cultura popular. Volta tropeirão!
- Dignidade aos barraqueiros do mineirão e feirantes do mineirinho. – Pelos direitos humanos e dignidade da população em situação de rua.
- Exigimos o fim da violência institucional contra o povo da rua, o direito de ir, vir e permanecer no espaço público e políticas públicas para garantir trabalho e albergues dignos
- Pelo fim das mortes de operários em obras de infraestrutura, exigimos pensão vitalícia para as famílias dos operários mortos e incapacitados em acidentes de trabalho e a responsabilização das construtoras!
- Em defesa das profissionais do sexo, contra a exploração sexual e violência contra a comunidade LGBTT.
- Exigimos políticas sérias de prevenção e combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas, com campanhas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas, incluindo a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira e o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos de mulheres, crianças e adolescentes e população LGBT.
- Contra os gastos abusivos da Copa, exigimos auditoria popular da dívida pública e das privatizações ocorridas nos três níveis de governo. – Pela democratização dos meios de comunicação.

Há muita coisa que a mídia não mostra e a muita coisa que a PM não faz.

Mas o que é a manchete na imprensa …. quebradeira, como disse um amigo, é sempre mais do mesmo. Sim mais opressão e dissimulação da mídia sobre os atos que realmente mobilizam a cidade. E para constar não foram só duzentas pessoas como dizem os jornais, foram mais, bem mais. Quem estava lá sabe o que aconteceu, mas quem viu a abertura da copa me conta uma coisa: o que você viu!

para chegar em casa, mais um espreme da PM, mão na cabeça e abre a bolsa… mas como vou tirar a bolsa com a mão na cabeça, essa parte não vou nem contar!!!

Não falarei mal da abertura da copa do mundo para não me acusarem mais uma vez de mimimi. Pois vão falar que eu sou derrotista, que devia juntar dinheiro e morar fora do Brasil, que eu não quero mostrar as coisas boas do nosso país…. Esses eu não vou nem responder.

Mas sobre a copa, ontem eu não vi a abertura, pois estava ocupada na hora. Mas hoje de manhã fiquei curiosa. Queria ver o que o Brasil tinha de bonito e que foi visto pelo mundo inteiro. Pois essa é a justificativa dos altos investimentos, além do futebol mostrar nossa cultura, não é! Legado … não é esse o termo usado.

Fui então para a internet e fiz a busca pelo compacto dos melhores momentos. Assisti um vídeo, dois, quatro talvez e achei que estavam me zoando. No entanto, vi nas buscas que o evento tinha durado 25 minutos, então achei melhor assistir tudo para tirar, eu mesma, os melhores momentos.

(pausa para reflexão)

Retiro meu direito da fala, pois já me sinto representada pelos vídeos que assisti. (modo ironia ligado no máximo)

 

Mas enfim eu não vou falar mal da abertura da copa, para mostrar a minha disponibilidade em ver algo de bom nisso, gostei de uma boneca de cabaça gigante que aparece alguns segundos. Lembrei do meu povo, meus artesãos queridos que tenho a grata satisfação de conhecer nestes mais de 15 anos pernando [perneando] pelo Brasil, de norte a sul, e a minha pesquisa curiosa sobre cultura popular. Então para não falar mais da abertura da copa, achei interessante, a boneca de cabaça gigante.

Mas só uma perguntinha:

É sério que não chamaram um carnavalesco, ou o pessoal do Boi de Parintis ou os organizadores das juninas de Campina Grande e Caruaru, para fazer a abertura, sério que teve que vir gente de fora para fazer isso?

tá bom chamaram o Olodum, mas foi para participar e não para organizar né!

Antes que comecem os ataques, eu sei, eu sei que carnaval de rua é linear , sei que vai ter o jogo depois da abertura e não poderia estragar o gramado…. mas sei também, que as escolas de samba, são feras em saber ocupar espaço, eles conseguem harmonia, ritmo e *evolução* como ninguém!!! O povo é bom. Tem o povo de Parintins que tá mais acostumado com evento de evolução fechada e a nossa quadrilha, sabe quadrilha, sabe santo antônio, sabe aquele para além da festa religiosa, mas é também um festejo cultural, sabe aquele que se comemora dia 12 de junho !!!! opaaaaaaaa!!!! dia de abertura da copa da mundo no Brasil, pois é.

Mas não vou falar mal mesmo, só umas dicas para o encerramento, ainda dá tempo, sabe as escolas de samba, sabe as baterias, junta todas e dá meia hora para mestres combinarem os movimentos e solta esse povo ali dentro que a festa já tá pronta e ao vivo. E pode a até aproveitar a Claudia Leite e o Olodum eles com certeza vão entrar no ritmo, fácil!O povo brasileiro é bom, mas tem gente que não sabe disso!

agora sobre o jogo, risos, desse não falo mesmo!! (piada contra, ops, pronta)

 

intervenção: cardes … , fabiana leite e letícia souza + coletivo projetação

ANCOP- Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e Olimpíadas

 

Demonstrate: which other victories do we want for Brazil?


Since 2010, when the fight against the first violations brought by the World Cup began in Brazil, the Popular Committees of the World Cup in the 12 host-cities organized themselves with the goal of strengthening the defense of social rights and going against the model of city that was starting to be implemented. We have always made clear that our fight was not against football, although part of the media, governments and businessmen have tried to disqualify our movement with such argument. Our central question was and will always be: “World Cup for whom?”, as that’s how we can debate the directions and the model of city and country imposed and strengthened by the mega-events.

 

In the course of these years, with all the violations and violence that marked the imposition of the World Cup, various affected communities (250,000 people threatened with displacement), professional categories and people have been searching for forms of organization and resistance. In general, the people began to realize that the Cup that was being created would not bring benefits for the country. Many victories arose from this process of resistance. Since June 2013, the popular uprisings and claims have grown and so have the victories through fighting. Today, no one can deny that it is through fight that one conquers!


The main response of the governments to the pressures and victories was not the creation of dialogue channels and new policies, but instead, new ways of repression and police violence. We refuse this new model of “security”, which has been strengthened and presented as legacy in the name of the World Cup. On the first days of the Cup, many have witnessed torture and violence and we cannot let this happen without questioning.


We cheer for football and we fought during all this time for another World Cup, within another model of city where victories can also happen in other realms: for good public education and health, for demarcation of indigenous territories, for the end of state violence and racial and ethnic cleansing, for the end of forced evictions, for the demilitarization of the police, and against the criminalization of social movements.


We, who cheer, have watched the privatization of our feelings by FIFA. But we still cheer. We cheer for those who dare to think differently and who want an explanation on the expenditures for the World Cup, who dare to want that people are not evicted from their homes for the construction of stadiums. We cheer for those who dare to want security for children against sexual exploitation, and even for those who dare to work and make money with the World Cup!


We acknowledge and really respect the love that the Brazilian people have for football. But we cheer for a Brazil without violence, a demilitarized Brazil, a Brazil with people that have shelter and a land to live in. A Brazil that respects and learns with traditional populations, such as the indigenous, quilombolas and caiçaras. A Brazil that does not tolerate homophobia, violence against women and racism, especially when that is infused with violence, including police violence, against the Black youth.


We have spoken for four years that we were not against the World Cup or Football. That our problems are the human rights violations. We bet that this atmosphere of passion for football will transform into a passion for the changes that the people deserve. This way, it is possible to live with the protests for a better city, together with a football championship. Many of our struggles in this period were exactly for the World Cup would not become a privilege for the few. We fought for the right to work during the days of match, for the free right to come and go and we fought against the policy of social cleansing.


The same population that supported the fights since June 2013 is the one that today cheers for Brazil in the World Cup. Governments, police forces, FIFA and big businessmen strive to create dissent. Thus, beyond those who are on the streets, we invite all Brazilians to express their wishes for victory in football and victory in social rights. We ask and start the campaign: which other victories do we want for Brazil?

Manifeste: Que outras vitórias queremos para o Brasil?

Desde 2010, quando as primeiras lutas contra as violações trazidas pela Copa do Mundo iniciaram no Brasil, os Comitês Populares da Copa, nas 12 cidades sedes, se organizaram com intuito de fortalecer a defesa de direitos sociais e contra o modelo de cidade que aos poucos vinha se implementando. Desde sempre deixamos claro que nossa luta não era contra o futebol, forma como parte da mídia, Governos e empresários sempre tentaram desqualificar o movimento. Nossa pergunta central sempre foi e será: “Copa pra quem?”, pois é assim que podemos debater os rumos e o modelo de cidade e país imposto e fortalecido a partir dos megaeventos.

Ao longo destes anos, com os desmandos e a truculência pela qual a Copa do Mundo foi sendo imposta, as diversas comunidades (250 mil pessoas ameaçadas de remoção), categorias e pessoas atingidas foram buscando formas de organização e resistência. O povo em geral foi percebendo que a Copa que se criava não traria benefícios para o país. Muitas vitórias surgiram deste processo de resistência. A partir das jornadas de junho de 2013, os levantes e reivindicações populares cresceram e as vitórias a partir da luta também. Hoje, ninguém pode negar que é com luta que se conquista!

A principal resposta dos Governos às pressões e conquistas não foram canais de diálogo e construção de novas políticas. Mas sim novas formas de repressão e violência policial. A este modelo de “segurança”, fortalecido e apresentado como legado em nome da Copa, nós manifestamos nosso repúdio. Nestes primeiros dias de Copa do Mundo já foram presenciadas cenas de tortura e violência que não deixaremos passar sem questionamentos.

Torcemos pelo futebol e lutamos todo este período por uma outra Copa do Mundo, inserida em outro modelo de cidade, onde ocorram vitórias também na educação e saúde pública de qualidade, pela demarcação das terras indígenas, pelo fim da violência estatal e limpeza étnico-racial, pelo fim das remoções e despejos forçados, pela desmilitarização da polícia e contra a criminalização dos movimentos sociais.

Nós que torcemos, assistimos a privatização do nosso sentimento pela Fifa. Mas continuamos torcendo. Torcendo pelas pessoas que ousam pensar diferente e querem explicação dos gastos da Copa, que ousam querer que as pessoas não sejam despejadas de suas casas para se construir estádios. Torcemos para as que ousam querer segurança para crianças e adolescentes contra a exploração sexual, e as que ousam até querer trabalhar e ganhar dinheiro com a Copa!

Sabemos e respeitamos muito o amor que o povo brasileiro tem ao futebol.  Mas torcemos por um Brasil sem violência, um Brasil desmilitarizado, um Brasil com pessoas com casas ou terras para viver. Um Brasil que respeite e aprenda com as populações tradicionais como os indígenas, os quilombolas, os caiçaras... um Brasil que não tolere a homofobia, a violência contra as mulheres e o racismo, principalmente aquele impregnado na violência, inclusive policial, contra a juventude negra.

Falamos ao longo de 4 anos que não éramos contra a Copa ou o Futebol. Que os nossos problemas são as violações dos direitos humanos. Apostamos nesse clima de paixão pelo futebol para transbordar para a paixão pelas mudanças que o povo merece. Neste sentido, é possível conviver os protestos por uma cidade melhor com um campeonato de futebol. Muitas de nossas lutas neste período foram justamente para que a Copa não se tornasse de poucos. Lutamos pelo direito ao trabalho nos jogos, pelo livre direito de ir e vir e contra a política de higienização social.

A mesma população que apoiou as lutas desde junho de 2013 é a que hoje torce pelo Brasil na Copa. Os governos, as forças policiais, a FIFA e os grandes empresários tentam criar esta separação. Assim, além dos(as) que estão nas ruas, convidamos a todos(as) os(as) brasileiros(as) a expressarem seus desejos a vitória no futebol e no direito social, perguntamos e lançamos a campanha: que outras vitórias queremos para o Brasil?

ANCOP - Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa

 

 

 

Qui, 12 de Junho de 2014 20:22

Novidades em Alba Sud

Novidades em Alba Sud

 

Compartilhamos a edição especial Brasil 2014, uma publicação do Boletim Alba Sud, este é um trabalho em cooperação entre Alba Sud e a Secretaria regional JS/A e do Jubileu Sul Brasil.

Você pode ter acesso a mais informação clicando sobre os links indicados logo abaixo.

 

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ALBA SUD - Investigación y comunicación para el desarrollo.

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Aos 11 de junho de 2014 o Batay Ouvriye que é uma organização parceira do Jubileu Sul Brasil, sediada no Haiti fez a entrega de uma Carta Aberta dirigida à Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, por meio do embaixador brasileiro, Sr. José Luis Machado E. Costa.

"CARTA ABIERTA A LA SEÑORA DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTE DE BRASIL

Por medio del Señor Jose Luis Machado E. Costa, Embajador de Brasil en Haití

Señora Presidente,

En el marco de la Copa Mundial 2014 que se va a dar en Brasil, apoyamos sin reserva y les damos toda nuestra solidaridad a las movilizaciones del pueblo brasileño que reclama salud, educación, vivienda, mejores salarios, transporte gratis entre otras reivindicaciones... en vez de los billones gastados en estadios y logística para la Copa. Sabemos muy bien que el pueblo brasileño adora el futbol. Si se ha movilizado tanto en estas ocasiones, es que realmente debe estar harto..."


Ter, 10 de Junho de 2014 00:01

Dossiê "Copa para quem e para quê?"

Dossiê "Copa para quem e para quê?"

A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo trouxe ao país a promessa de ganhos sociais e econômicos, embalados pela emoção do futebol. Mas às vésperas do Mundial, o real significado do megaevento para a população brasileira enfrenta uma onda de questionamentos.

 

Para melhorar a compreensão sobre o fenômeno, a Fundação Heinrich Böll (HBS) convidou jornalistas e especialistas para produzir análises sobre os gastos públicos, o legado real e simbólico e os custos sociais da realização do evento. O trabalho foi reunido no webdossiê

"Copa para quem e para quê?", que inclui reúne reportagens, artigos, mapas, gráficos, fotos e vídeos.

 

O material demonstra que teremos a Copa mais cara de todos os tempos, com 85% dos custos arcados pelos cofres públicos, além de grave impacto sobre a questão habitacional no país. A estimativa é que 200 mil pessoas já tenham sido ou estejam em processo de remoção forçada em função dos grandes projetos de mobilidade urbana inscritos nas matrizes de responsabilidade da Copa e das Olimpíadas de 2016. A criminalização dos movimentos sociais e a escalada de militarização da repressão do Estado também são elementos analisados. Assim como a mercantilização dos espaços públicos.

 

Dirigido ao público internacional, o webdossiê está disponível em português (http://br.boell.org/pt-br/dossie-copa-para-quem-e-para-que), alemão (http://www.boell.de/de/world-cup-fuer-wen) e inglês (http://www.boell.de/en/world-cup-whom-world-cup-what)

 

Mais informações com Rafael Rodrigues, assessor de imprensa

 

(21) 99284-6444/

Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.

Seg, 09 de Junho de 2014 23:50

Dossiê Rio *Edição 2014*

O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas (RJ) fez o lançamento público do Dossiê - Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Rio de Janeiro *Edição 2014*. Para quem estiver interessado no documento é só acessar o link. Para baixar é só clicar

CORDEL: VAMOS PRA RUA A MIL - (POIS PREJUDICA UM BRASIL A COPA DO CAPITAL)

 

Quem mora neste país
Sabe que ele é dividido
Entre quem vive feliz
E quem vive espremido
Por isso é que um Mundial
Que agrada ao capital
A tantos causa gemido

Há um Brasil que é só festa
Outro que é necessidade
Um que tem gente honesta
E outro que é só vaidade
Há um Brasil contemplado
E outro prejudicado
Esta é a realidade

Eu sou uma brasileira
Que ama muito o Brasil
Mas penso que é asneira
Ficar sem dar nem um pio
Sobre as iniquidades
E as muitas perversidades
Que a dona FIFA pariu

Nada tenho contra a Copa
E gosto de futebol
Mas já morei em maloca
E sei onde nasce o sol
Vejo a desigualdade
No campo e na cidade
Clara feito um arrebol

O que muito me incomoda
É o estado de exceção
Que está virando moda
Dentro da nossa nação
Que virou país-empresa
Que destrói a natureza
E a vida do cidadão

Sei que a FIFA tá mandando
Porque o governo permite
Mas as ruas tão gritando
Porque a gente resiste
Quem aprendeu a lutar
Não se deixa fascinar
Pelo jogo das elites

E eu que sou feminista
Das que não faz concessões
Ao lucro capitalista
E às regras dos patrões
Sei que esse megaevento
Para mim não tem assento
Dentro ou fora dos portões

 

Me somo a quem não se cala
Diante das exclusões
Uso sempre a minha fala
Contra os velhos tubarões
Que roubam o nosso povo
E fazem discurso novo
Em tempos de eleições

E aqui eu me refiro
A políticos diversos
Que vivem nos dando giro
Enquanto estão imersos
Nos interesses da FIFA
Que nosso direito rifa
Com discurso controverso

Entendo que o Mundial
Que o país vai sediar
Já deu mais do que sinal
Do rombo que vai deixar
Pra aquela população
Que para ganhar o pão
Rala até não aguentar

Afinal todas as obras
Que a gente tá custeando
Estão cheias de manobras
E ninguém tá explicando
Por que tanta imposição
Contra a Constituição
E contra quem tá lutando

Muito dinheiro investido
Pra garantir repressão
O povo virou bandido
De crime de opinião
E governos de toda cor
Legitimam o terror
Em ano de eleição

Quem anda pela cidade
E sabe o que é o povo
Conhece as necessidades
Dessa vida arroz com ovo
Onde falta moradia
Água, gás e energia
Saúde e transporte novo

Quem faz parte do Brasil
Que pega filas gigantes
Sabe que está barril
E o quanto é revoltante
Ver famílias despejadas
E suas casas derrubadas
Por ordem dos arrogantes

E a falta de transparência
Sobre muitas decisões?
Além das incoerências
Sobre as (i)licitações
E o que foi prometido
Pugnado e defendido
Vai ter inaugurações?

Mobilidade urbana
Ninguém sabe, ninguém vê
E ninguém mais se engana
Com o que vão nos dizer
Se é com nosso dinheiro
Então todo brasileiro
Pode sim se intrometer

Para cada viaduto
Arena e aeroporto
Uma família de luto
E um operário morto
Um direito violado
Um choro desesperado
E um olhar absorto

Os abusos são gritantes
Contra grupos vulneráveis
Prisão de manifestantes
Remoções inaceitáveis
Mulheres prejudicadas
Ofendidas, degradadas
Feito produtos vendáveis

A FIFA manda em tudo
Com aval dos governantes
Extrai um lucro graúdo
Mas explora estudantes
Que trabalham sem ganhar
Para a FIFA não pagar
Imposto ou lucro cessante

A FIFA fez exigências
Ferindo a soberania
Usurpou as competências
Próprias da democracia
Impôs a sua vontade
Quebrou a legalidade
E contou com a covardia

Fez do Brasil um otário
Que pagou pra se ferrar
Matou alguns operários
E não vai indenizar
Os pobres dos dependentes
Que não verão nem os dentes
Dos caras que vão jogar

A FIFA e seu patrocínio
Não se importam com você
Que exerce o raciocínio
E tem algo pra dizer
Contra as violações
Preconceito e exclusões
Que ela sabe promover

A FIFA não se interessa
Por quem foi desalojado
Pois ela tem muita pressa
Para levar seu bocado
E deixar o sofrimento
A exclusão e o tormento
Como seu maior legado

A FIFA só tem apreço
Por quem compra seu ingresso
Ela sabe o endereço
Dos ricos lá do Congresso
Vai jantar com a presidenta
Que também não tá isenta
Desse grande retrocesso

A FIFA é o capital
Que não respeita humano
É a dona da Lei Geral
E desse jogo insano
Que envolve todo o poder
Que autoriza prender
Quem atrapalhar seus planos

A FIFA tá nem aí
Pra exploração sexual
Ela mandando aqui
Pode é haver bacanal
Racismo e exclusão
Sofrimento e opressão
Nada disso lhe faz mal

A faxina das cidades
Tirando o povo da rua
Toda essa iniquidade
Com minha vida e a sua
Conta com a conivência
Da corja de excelências
Que manda sentar a pua

É por isso que eu digo
Através desse canal
Mesmo correndo perigo
De me descerem o pau
Vamos pra rua a mil
Pois prejudica um Brasil
A copa do Capital

Autora: Salete Maria

Salvador-Ba

Junho/2014

 

 

TV Pública Alemã leva mensagem de Gustavo Mehl sobre os protesto contra a Copa

Gustavo Mehl estava com vídeo mensagem na TV publica na Alemanha. Em um programa de debate muito importante, horário nobre ! As contribuições do artista (cartunista) brasileiro, radicalizado em Brasília se localiza a partir dos 40 minutos do vídeo que segue o link. http://daserste.ndr.de/guentherjauch/Fussball-WM-in-Brasilien-Fest-oder-Fiasko,guentherjauch436.html

A repercusão de sua intervenção (Gustavo Mehl) gerou interesse em outras mídias, repercutindo nos jornais... Confira em: http://www.fr-online.de/tv-kritik/guenther-jauch-zur-fussball-wm-in-brasilien--die-machen-den-fussball-kaputt-,1473344,27320932.html