Articulação Nacional

Articulação Nacional

Aos 27 de junho de 2014, o Jubileu Sul Brasil publicou a entrevista realizado por Ana Rogéria da Rede Jubileu Sul Brasil, com Igor Igor Moreira PintoO que estamos vendo são operações de guerra contra manifestações”... confira nessa republicação...

 

[ENTREVISTA] O que estamos vendo são operações de guerra contra manifestações

Polícia e Exército nas ruas. Helicópteros sobrevoando as cidades. Tropas de choques sempre a postos. Cavalaria. Veículos especiais. Desde o início da Copa do Mundo, estas são cenas cotidianas nas cidades-sede e, com isso, uma forte onda de repressão se instalou diante de qualquer tentativa de mobilização e protesto social.

 

Como as polícias tiveram grandes dificuldades em conter não só as grandes mobilizações de 2103, mas também as manifestações em comunidades revoltadas contra assassinatos de jovens pela polícia, enchentes ou falta de serviços essenciais, o Estado optou por investir no aparelhamento repressivo ao invés de resolver os problemas que motivam as manifestações”, afirma, em entrevista, Igor Moreira Pinto, integrante do Movimento de Conselhos Populares do Ceará e da rede Jubileu Sul Brasil.

Já são centenas os casos de violação, apreensão e detenção de manifestantes que protestam motivados pelos vários questionamentos que rondam a realização do mundial. E a pergunta provocadora, ressalta Igor, continuará atual: Copa para quem?

Ana Rogéria, Rede Jubileu Sul Brasil.

 

Confira a entrevista.

A truculência, abuso e violência policial seguem nestas manifestações para a Copa 2014. De alguma forma, os movimentos sociais já estavam preparados para esse momento, já esperavam que houvesse todo esse aparato, levando em conta as de 2013?

 

igor1Igor Moreira Pinto - Na verdade, houve um esforço articulado entre a grande mídia, os órgãos de repressão do Estado e a indústria armamentista transnacional para que se criasse um clima de guerra que justificasse o gigantesco investimento feito. Diziam que era para combater “black blocs” que ameaçavam a Copa, mas na verdade todo esse aparato se volta contra os trabalhadores em luta, as comunidades e movimentos sociais que lutam pelos direitos à cidade.

Então, como as polícias tiveram grandes dificuldades em conter não só as grandes mobilizações de 2103, mas também as manifestações em comunidades revoltadas contra assassinatos de jovens pela polícia, enchentes ou falta de serviços essenciais, o Estado optou por investir no aparelhamento repressivo ao invés de resolver os problemas que motivam as manifestações. Juntando isso com a escalada do autoritarismo, esperávamos sim um clima de guerra contra as manifestações. Só que nós não queremos guerra, nem nunca nos propusemos a usar a violência na luta por direitos e liberdade que caracterizam os movimentos sociais. Nós vamos pra rua pra denunciar, reivindicar e não guerrear, e o que estamos vendo são operações de guerra contra manifestações.

 

É possível tirar daí qual será o legado deixado pela Copa no que diz respeito à criminalização das manifestações e movimentos sociais?É possível tirar daí qual será o legado deixado pela Copa no que diz respeito à criminalização das manifestações e movimentos sociais?

 

Igor Moreira Pinto Enquanto as denúncias e reivindicações dos movimentos são quase ignoradas, a grande mídia e os governos fizeram dos “black blocs” uma cortina de fumaça, superestimando esse fenômeno com uma megaexposição nas coberturas e discursos, apresentando à sociedade uma falsa ameaça para justificar a criminalização e a repressão dos movimentos populares. A grande mídia prefere silenciar a expressão dos movimentos que questionam a estrutura social e política do Brasil, bem como comunidades que lutam por direitos civis frente à violência que parte do próprio Estado e extermina pessoas, viola residências, abusa, reprime cidadãos.

O grande objetivo de todo essa operação midiática, que usou histericamente a defesa da Copa pra justificar as escaladas autoritária e armamentista do Estado, é controlar e reprimir as lutas de trabalhadores de setores estratégicos da economia, movimentos que lutam por terra, território, recursos naturais, moradia, transporte, entre outros movimentos sociais, além é claro das populações pobres, principalmente urbanas, que têm se rebelado cotidianamente neste último ano em comunidades, bairros, ruas e avenidas das cidades brasileiras.

 

Com o início do Mundial, há uma clara tentativa da mídia em desqualificar as manifestações, na verdade sempre houve, mas parece agora mais latente…Pode falar mais sobre isso?

 

Igor Moreira Pinto A mídia sofreu muito em termos de descrédito a partir de junho de 2013. A sua capacidade de pautar a sociedade caiu muito. Certamente a Copa é uma grande oportunidade de recuperar parte de sua influência sobre as opiniões, sem ser confrontada por visões críticas quanto à sua cobertura. A Copa no Brasil e a seleção são perfeitas para criar uma homogeneidade dócil e sob fácil controle das instituições que foram desmoralizadas em 2013, como a própria mídia tradicional, inclusive encobrindo os conflitos cotidianos, coisa que não vinha conseguindo fazer ultimamente.

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Para isso era necessário isolar a voz dos insatisfeitos, sobretudo os atingidos pelas remoções, despejos, intervenções arbitrárias, perseguições… Assim se tornou muito difícil para essas pessoas e seus movimentos se expressarem, pois o conteúdo de suas manifestações não aparecem na mídia, e ainda têm que enfrentar a repressão policial legitimada pelo discurso midiático e seus rótulos. Mas essa homogeneidade patriótica é etérea, não existe de fato em canto nenhum a não ser na tv, se desmanchará ao fim da Copa, e a diversidade da sociedade, com seus conflitos, continua se manifestando nas ruas e outras esferas de lutas, transformando a cultura política brasileira.

 

Dentro de todo esse contexto sobre o qual conversamos que significado ou resignificado tem o “Copa pra quem”?

 

Igor Moreira PintoAo contrário da evocação patriótica- futebolística durante o espetáculo da Copa, o questionamento a quem ela serviu continuará super atual após o evento. Será a hora de questionar quem paga a conta e quem se beneficiou com a farra de recursos públicos, projetos supérfluos ou mal executados, as próprias remoções e outras alterações nas cidades para satisfazer interesses do mercado imobiliário.

Ao mesmo tempo, continuarão as resistências aos projetos elitistas que despejam e removem, impactam as vidas das pessoas de diferentes formas, sem trazer contrapartidas em qualidade de vida para as cidades. Também continuarão as lutas por transporte público e outros serviços urbanos essenciais à vida dos cidadãos e que devem ser garantidos como direitos, mas são tratados como mercadoria, não atendem a população a contento e ainda espoliam através de altas taxas e tarifas cobradas por empresas concessionárias. Lutas por moradia, por infraestrutura urbana e social não param de crescer em todo o país. Além das lutas pela democratização das instituições, como regulamentação social da mídia e desmilitarização da polícia por exemplo.

 

Então, ao continuar questionando Copa pra quem, continuaremos combatendo o endividamento público para investimentos de interesses privados, as decisões autoritárias de intervenções nas cidades, a limitação de direitos e o estado de exceção. E em relação ao evento em si, acho que a sociedade terá sim muitas contas a acertar em termos de gastos públicos, abuso do poder e repressão, atribuição de responsabilidades.

Aos 27 de junho de 2014, o Jubileu Sul Brasil publicou o artigo “Uma Copa do Mundo nos campos e outras nas ruas”, e aqui o republicamos, confira>>>

[ARTIGO] Uma Copa do Mundo nos campos e outra nas ruas

Por Jaime Carlos Patais, IMC*

Num espaço de poucos meses o país celebrará uma Copa do Mundo de futebol e eleições gerais. O pleito em outubro vai eleger o presidente e vice-presidente da República, deputados federais, senadores, governadores e vice-governadores, deputados estaduais. Enquanto isso, por fora do mundo oficial e seus convidados, movimentos organizações e sindicatos estão em polvorosa. Tem fumaça no ar e fogo por debaixo das cinzas. Os ventos começam a soprar: manifestações, greves e rebeliões.

Fazer previsões do que virá nos próximos dias é mais do que imprudente. Ainda que tenhamos indícios, não sabemos se os protestos populares atingirão os mesmos patamares de junho de 2013. Muitos críticos vêm se perguntando: Copa para quem? A expectativa criada pelos organizadores e pelo governo de que a Copa do Mundo traria significativas melhorias para a população não se concretizaram. Esse fiasco, o povo não está disposto a engolir pacificamente. Acuados, políticos de todas as espécies e partidos que planejavam utilizar o megaevento como vitrine para ganhar visibilidade, estão desistindo da ideia com medo de serem vaiados. Até a presidente Dilma anda desconfiada e já não quer aparecer nem fazer discursos nos estádios. E não adianta o presidente da Fifa vir com moralismos pedindo civilidade e respeito nas cerimônias. Será vaiado do mesmo jeito.

Uma coisa é certa: a Copa do Mundo já tem definidos seus vencedores e vencidos. A Fifa e seus aliados, os donos do poder, seus grandes financiadores e empreiteiras, além dos velhos parasitas do futebol brasileiro, alguns ex-jogadores-cartolas e empresários, já ganharam seu jogo. Os historicamente excluídos já perderam, o que em alguns casos inclui o próprio teto, o espaço, o chão, oportunidades… A Copa do Mundo serviu de motivo para uma higienização das cidades. Remoções forçadas, ambulantes proibidos de trabalhar, mobilidade urbana comprometida. Esse é o panorama.

A Copa do Mundo é capaz de criar a seguinte situação: para sediar o evento, um estado de direito democrático deve se submeter às regras impostas por uma organização comprovadamente corrupta e mafiosa o que equivale a aceitar imposições de grupos criminosos à margem da lei. Pela força do mercado, na Sociedade do Espetáculo grupos poderosos mandam e desmandam em todo o mundo. A Fifa confia a organização dos espetáculos àqueles que garantirem construções imponentes e a transmissão dos jogos para todo o planeta, a partir dos quais obtém retornos que são contadas aos bilhões. Para isso, atropela leis e direitos conquistados com muita luta pela população local. Por outro lado, envolvido pelo mesmo sistema, países disputam a oportunidade de sediar os jogos. O negócio é atraente por que alguns ganham muito com isso. Uma vez aceito, não adianta reclamar: “vai ter Copa sim” – o exército está nas ruas! A lei geral da Copa foi votada e aprovada pelos nossos “brilhantes” parlamentares que aceitaram imposições absurdas. Isso mostra como os nossos governos “democráticos” e inclusive a oposição, são reféns da ditadura do mercado e a ele servem de joelhos. A final de contas jogam no mesmo time. Com o superfaturamento na construção de estádios e obras anexas, somado com os cachês dos patrocinadores oficiais, a caixinha dos partidos deve estar cheia para a campanha eleitoral que se aproxima.

Enquanto isso a população que tem o direito de ir e vir, está proibida de transitar por onde os torcedores passam. As regras da Fifa proíbem que os ambulantes vendam a mercadoria nas ruas que levam aos estádios. O monopólio é das empresas importantes. O espetáculo vai começar e os circenses seguem sem pão. Os pobres são retirados dos arredores dos estádios: no Rio, calcula-se a deportação de 170 mil impactados. E em 2016 ainda tem as Olimpíadas. Os mendigos que degradam o espetáculo devem desaparecer.

O governo mostra um esquema de guerra para garantir a segurança da Copa. Depois de oferecer a ajuda de 36 mil militares aos Estados, a presidente Dilma Rousseff decidiu tirar dos quartéis mais 21 mil homens do Exército, enquanto os governadores suspenderam a férias de seus policiais militares. O custo disso para os cofres públicos será na ordem de R$ 1,9 bilhão. No interior dos estádios a Fifa exige segurança privada.

O mais interessante é que a Sociedade do Espetáculo e do Consumo cria situações inusitadas. Teremos uma Copa nos campos e outra nas ruas sendo possível desfrutar de ambas, sem contradições. Nos estádios, nas ruas ou diante da telinha da TV, o espetáculo continua. Dentro dos campos, “padrão Fifa”, fora deles, “padrão Brasil”.

*Mestre em comunicação e secretário nacional da Pontifícia União Missionário no Brasil


Sáb, 14 de Junho de 2014 19:30

Nota sobre a repressão do dia 12 de junho

Segue a nota do Comitê Popular da Copa de São Paulo sobre a repressão aos manifestantes que protestavam contra a Copa do Mundo da FIFA em São Paulo no dia 12 de junho de 2014. O texto que segue foi publicado originalmente em ComitêSP

Nota sobre a repressão do dia 12 de junho

O Comitê Popular da Copa de SP vem por meio desta nota repudiar a ação do Estado e de seu braço armado, a polícia militar, que com o uso da violência desmedida e irresponsável impediu de acontecer as manifestações programadas para o dia de abertura da Copa do Mundo, na última quinta-feira, dia 12.



A primeira delas, marcada pela frente Se Não Tiver Direitos, Não Vai Ter Copa teve início na saída da estação de metrô Carrão, por volta das 10h, e em menos de 20 minutos foi dispersada sem motivo algum, por balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.



Além de impedir o direito constitucional à livre manifestação, a ação da polícia militar teve como saldo um grande número de pessoas machucadas, inclusive uma repórter e uma produtora da emissora internacional CNN que foram feridas por estilhaços da chamada munição “não-letal” e um rapaz que, mesmo depois de imobilizado e alvejado no peito por tiros de bala de borracha, foi covardemente atingido no rosto com jatos de spray de pimenta por policiais militares.



Após a dispersão, alguns/as militantes somaram-se ao ato em frente ao Sindicato dos Metroviários, que trazia como pauta a denúncia das violações da Copa do Mundo da FIFA e também prestava solidariedade aos 42 metroviários despedidos de maneira ilegal durante a greve de 5 dias realizada na última semana. Com concentração marcada para as 10h, a manifestação foi cercada por um pelotão da Tropa de Choque e seus robocops, que impediam os manifestantes de saírem em caminhada.



Num clima de grande tensão, o que se viu foi mais uma vez a PM assumindo seu papel terrorista, se utilizando de ações truculentas e ilegais: prisões para averiguação, policiais sem identificação e alguns deles portando armas de munição letal, bem como mais agressões a militantes e profissionais da imprensa.



Relatos de alguns/as militantes presentes no ato apontam que a primeira bomba surgiu do meio da manifestação, numa clara demonstração de que a polícia militar de Geraldo Alckmin e Fernando Grella investe cada vez mais no uso de policiais infiltrados. Sem farda, a PM tumultuou mais uma vez a manifestação para legitimar a dispersão violenta. Assim como no último dia 15 de maio, para impedir o dia internacional de lutas contra a Copa, em que a caminhada durou apenas 20 minutos.



Entre os atingidos, havia um jornalista com uma queimadura na perna e um manifestante com um grande corte no rosto, ambos feridos por bombas. A polícia militar ainda dificultou o socorro dos feridos por unidades de emergência especializadas, como o SAMU e o Resgate do Corpo de Bombeiros, mesmo com a presença de defensores públicos no local. Por fim, acabaram levados ao hospital pela própria PM.



Durante toda à tarde, pessoas com “cara de manifestante” foram perseguidas pela PM em diferentes pontos da cidade, como estações de metrô, praças públicas e, até mesmo, em universidades. 29 pessoas que estavam no estacionamento da UNESP na Barra Funda foram levadas à delegacia para “averiguação”, apesar de tal procedimento inexistir na legislação. É importante ressaltar que todas essas ações arbitrárias do Estado foram tomadas para impedir manifestações que tinham como objetivo tornar pública a criminalização dos movimentos sociais e o processo de violações acentuado pela vinda da Copa do Mundo da FIFA para o Brasil.



As vitórias populares foram sempre uma conquista das ruas, seja nas greves, protestos, ocupações ou outras formas legítimas de manifestação e ação política. A resposta violenta e autoritária do Estado aos conflitos sociais, apresentando as forças policiais como únicas “mediadoras”, além de agravar esses conflitos, é uma forma de violar liberdades civis e políticas, ameaçar a população para que se cale – e impor sobre todos uma única visão de mundo.



Sendo assim, fica claro que quem apertou o gatilho, quem jogou as bombas, quem realizou prisões para averiguação e espancou pessoas por estarem excercendo seu direito à manifestação foi o braço armado do governo de Geraldo Alckmin e Fernando Grella, de mãos dadas com a FIFA e as corporações que lucram com o megaevento!



Por isso, é preciso que gritemos que terrorista é o Estado e a máfia da FIFA! Nem um passo atrás na luta contra a criminalização dos movimentos sociais! Nem um passo atrás na luta pelo direito à livre manifestação!

Força pra quem luta!
Comitê Popular da Copa SP, 14 de junho de 2014

Segue o artigo de Kai Behrmann – um jornalista alemão que tem escrito diferentes matérias sobre os Comitês Populares da Copa e, em especial ela faz uma leitura sobre ações e as atividades dos comitês desde o 1º Encontro dos Atingidos em Belo Horizonte. Vale a pena conferir no arquivo anexo.

O texto que segue faz parte da intervenção realizada em Belo Horizonte (MG) pelo Coletivo Projetação, aos 13 de junho de 2014, ele foi publicado originalmente em Andreira (Por Andreia Costa - 13 de junho de 2014)


Pois bem não vou falar mal da abertura da Copa do mundo, mas vou falar mal da imprensa e da PM. Saí de casa as 11:30 para ir a Praça 7. Fui abordada e tive minha bolsa revistada 2 vezes. Quem conhece o caminho, sabe o quão curto ele é. Enfim cheguei na Praça, fiquei com no movimento até a Praça da Liberdade, passamos pela porta do Othom Palace, abrimos nossas bandeiras os turistas tiraram fotos e fomos embora, rumo a prefeitura depois a praça da LIBERDADE (saca liberdade). Pois bem até aqui foram mais de 4 horas de manifestação, muita música, muitas palavras de ordem e muita abordagem policial desnecessária.

Mas o que é a manchete na imprensa …quebradeira, vandalismo, terror, cinegrafista ferido e vândalos presos.

só em um jornal, no fim da notícia um parágrafo falando dos motivos que estamos nas ruas.

para lembrar estou na rua:
- Pelo fim das remoções forçadas e pela garantia do direito à cidade e à moradia adequada a todos e todas.
- Pelo direito a livre manifestação e contra a criminalização do protesto e dos movimentos sociais.
- Pelo transporte gratuito e de qualidade.
- Pela desmilitarização da polícia, porque uma sociedade justa e democrática não se constrói com morte e repressão
- Pela economia popular exigimos o direito ao trabalho ambulante e a expressão da cultura popular. Volta tropeirão!
- Dignidade aos barraqueiros do mineirão e feirantes do mineirinho. – Pelos direitos humanos e dignidade da população em situação de rua.
- Exigimos o fim da violência institucional contra o povo da rua, o direito de ir, vir e permanecer no espaço público e políticas públicas para garantir trabalho e albergues dignos
- Pelo fim das mortes de operários em obras de infraestrutura, exigimos pensão vitalícia para as famílias dos operários mortos e incapacitados em acidentes de trabalho e a responsabilização das construtoras!
- Em defesa das profissionais do sexo, contra a exploração sexual e violência contra a comunidade LGBTT.
- Exigimos políticas sérias de prevenção e combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas, com campanhas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas, incluindo a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira e o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos de mulheres, crianças e adolescentes e população LGBT.
- Contra os gastos abusivos da Copa, exigimos auditoria popular da dívida pública e das privatizações ocorridas nos três níveis de governo. – Pela democratização dos meios de comunicação.

Há muita coisa que a mídia não mostra e a muita coisa que a PM não faz.

Mas o que é a manchete na imprensa …. quebradeira, como disse um amigo, é sempre mais do mesmo. Sim mais opressão e dissimulação da mídia sobre os atos que realmente mobilizam a cidade. E para constar não foram só duzentas pessoas como dizem os jornais, foram mais, bem mais. Quem estava lá sabe o que aconteceu, mas quem viu a abertura da copa me conta uma coisa: o que você viu!

para chegar em casa, mais um espreme da PM, mão na cabeça e abre a bolsa… mas como vou tirar a bolsa com a mão na cabeça, essa parte não vou nem contar!!!

Não falarei mal da abertura da copa do mundo para não me acusarem mais uma vez de mimimi. Pois vão falar que eu sou derrotista, que devia juntar dinheiro e morar fora do Brasil, que eu não quero mostrar as coisas boas do nosso país…. Esses eu não vou nem responder.

Mas sobre a copa, ontem eu não vi a abertura, pois estava ocupada na hora. Mas hoje de manhã fiquei curiosa. Queria ver o que o Brasil tinha de bonito e que foi visto pelo mundo inteiro. Pois essa é a justificativa dos altos investimentos, além do futebol mostrar nossa cultura, não é! Legado … não é esse o termo usado.

Fui então para a internet e fiz a busca pelo compacto dos melhores momentos. Assisti um vídeo, dois, quatro talvez e achei que estavam me zoando. No entanto, vi nas buscas que o evento tinha durado 25 minutos, então achei melhor assistir tudo para tirar, eu mesma, os melhores momentos.

(pausa para reflexão)

Retiro meu direito da fala, pois já me sinto representada pelos vídeos que assisti. (modo ironia ligado no máximo)

 

Mas enfim eu não vou falar mal da abertura da copa, para mostrar a minha disponibilidade em ver algo de bom nisso, gostei de uma boneca de cabaça gigante que aparece alguns segundos. Lembrei do meu povo, meus artesãos queridos que tenho a grata satisfação de conhecer nestes mais de 15 anos pernando [perneando] pelo Brasil, de norte a sul, e a minha pesquisa curiosa sobre cultura popular. Então para não falar mais da abertura da copa, achei interessante, a boneca de cabaça gigante.

Mas só uma perguntinha:

É sério que não chamaram um carnavalesco, ou o pessoal do Boi de Parintis ou os organizadores das juninas de Campina Grande e Caruaru, para fazer a abertura, sério que teve que vir gente de fora para fazer isso?

tá bom chamaram o Olodum, mas foi para participar e não para organizar né!

Antes que comecem os ataques, eu sei, eu sei que carnaval de rua é linear , sei que vai ter o jogo depois da abertura e não poderia estragar o gramado…. mas sei também, que as escolas de samba, são feras em saber ocupar espaço, eles conseguem harmonia, ritmo e *evolução* como ninguém!!! O povo é bom. Tem o povo de Parintins que tá mais acostumado com evento de evolução fechada e a nossa quadrilha, sabe quadrilha, sabe santo antônio, sabe aquele para além da festa religiosa, mas é também um festejo cultural, sabe aquele que se comemora dia 12 de junho !!!! opaaaaaaaa!!!! dia de abertura da copa da mundo no Brasil, pois é.

Mas não vou falar mal mesmo, só umas dicas para o encerramento, ainda dá tempo, sabe as escolas de samba, sabe as baterias, junta todas e dá meia hora para mestres combinarem os movimentos e solta esse povo ali dentro que a festa já tá pronta e ao vivo. E pode a até aproveitar a Claudia Leite e o Olodum eles com certeza vão entrar no ritmo, fácil!O povo brasileiro é bom, mas tem gente que não sabe disso!

agora sobre o jogo, risos, desse não falo mesmo!! (piada contra, ops, pronta)

 

intervenção: cardes … , fabiana leite e letícia souza + coletivo projetação

ANCOP- Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e Olimpíadas

 

Demonstrate: which other victories do we want for Brazil?


Since 2010, when the fight against the first violations brought by the World Cup began in Brazil, the Popular Committees of the World Cup in the 12 host-cities organized themselves with the goal of strengthening the defense of social rights and going against the model of city that was starting to be implemented. We have always made clear that our fight was not against football, although part of the media, governments and businessmen have tried to disqualify our movement with such argument. Our central question was and will always be: “World Cup for whom?”, as that’s how we can debate the directions and the model of city and country imposed and strengthened by the mega-events.

 

In the course of these years, with all the violations and violence that marked the imposition of the World Cup, various affected communities (250,000 people threatened with displacement), professional categories and people have been searching for forms of organization and resistance. In general, the people began to realize that the Cup that was being created would not bring benefits for the country. Many victories arose from this process of resistance. Since June 2013, the popular uprisings and claims have grown and so have the victories through fighting. Today, no one can deny that it is through fight that one conquers!


The main response of the governments to the pressures and victories was not the creation of dialogue channels and new policies, but instead, new ways of repression and police violence. We refuse this new model of “security”, which has been strengthened and presented as legacy in the name of the World Cup. On the first days of the Cup, many have witnessed torture and violence and we cannot let this happen without questioning.


We cheer for football and we fought during all this time for another World Cup, within another model of city where victories can also happen in other realms: for good public education and health, for demarcation of indigenous territories, for the end of state violence and racial and ethnic cleansing, for the end of forced evictions, for the demilitarization of the police, and against the criminalization of social movements.


We, who cheer, have watched the privatization of our feelings by FIFA. But we still cheer. We cheer for those who dare to think differently and who want an explanation on the expenditures for the World Cup, who dare to want that people are not evicted from their homes for the construction of stadiums. We cheer for those who dare to want security for children against sexual exploitation, and even for those who dare to work and make money with the World Cup!


We acknowledge and really respect the love that the Brazilian people have for football. But we cheer for a Brazil without violence, a demilitarized Brazil, a Brazil with people that have shelter and a land to live in. A Brazil that respects and learns with traditional populations, such as the indigenous, quilombolas and caiçaras. A Brazil that does not tolerate homophobia, violence against women and racism, especially when that is infused with violence, including police violence, against the Black youth.


We have spoken for four years that we were not against the World Cup or Football. That our problems are the human rights violations. We bet that this atmosphere of passion for football will transform into a passion for the changes that the people deserve. This way, it is possible to live with the protests for a better city, together with a football championship. Many of our struggles in this period were exactly for the World Cup would not become a privilege for the few. We fought for the right to work during the days of match, for the free right to come and go and we fought against the policy of social cleansing.


The same population that supported the fights since June 2013 is the one that today cheers for Brazil in the World Cup. Governments, police forces, FIFA and big businessmen strive to create dissent. Thus, beyond those who are on the streets, we invite all Brazilians to express their wishes for victory in football and victory in social rights. We ask and start the campaign: which other victories do we want for Brazil?

Manifeste: Que outras vitórias queremos para o Brasil?

Desde 2010, quando as primeiras lutas contra as violações trazidas pela Copa do Mundo iniciaram no Brasil, os Comitês Populares da Copa, nas 12 cidades sedes, se organizaram com intuito de fortalecer a defesa de direitos sociais e contra o modelo de cidade que aos poucos vinha se implementando. Desde sempre deixamos claro que nossa luta não era contra o futebol, forma como parte da mídia, Governos e empresários sempre tentaram desqualificar o movimento. Nossa pergunta central sempre foi e será: “Copa pra quem?”, pois é assim que podemos debater os rumos e o modelo de cidade e país imposto e fortalecido a partir dos megaeventos.

Ao longo destes anos, com os desmandos e a truculência pela qual a Copa do Mundo foi sendo imposta, as diversas comunidades (250 mil pessoas ameaçadas de remoção), categorias e pessoas atingidas foram buscando formas de organização e resistência. O povo em geral foi percebendo que a Copa que se criava não traria benefícios para o país. Muitas vitórias surgiram deste processo de resistência. A partir das jornadas de junho de 2013, os levantes e reivindicações populares cresceram e as vitórias a partir da luta também. Hoje, ninguém pode negar que é com luta que se conquista!

A principal resposta dos Governos às pressões e conquistas não foram canais de diálogo e construção de novas políticas. Mas sim novas formas de repressão e violência policial. A este modelo de “segurança”, fortalecido e apresentado como legado em nome da Copa, nós manifestamos nosso repúdio. Nestes primeiros dias de Copa do Mundo já foram presenciadas cenas de tortura e violência que não deixaremos passar sem questionamentos.

Torcemos pelo futebol e lutamos todo este período por uma outra Copa do Mundo, inserida em outro modelo de cidade, onde ocorram vitórias também na educação e saúde pública de qualidade, pela demarcação das terras indígenas, pelo fim da violência estatal e limpeza étnico-racial, pelo fim das remoções e despejos forçados, pela desmilitarização da polícia e contra a criminalização dos movimentos sociais.

Nós que torcemos, assistimos a privatização do nosso sentimento pela Fifa. Mas continuamos torcendo. Torcendo pelas pessoas que ousam pensar diferente e querem explicação dos gastos da Copa, que ousam querer que as pessoas não sejam despejadas de suas casas para se construir estádios. Torcemos para as que ousam querer segurança para crianças e adolescentes contra a exploração sexual, e as que ousam até querer trabalhar e ganhar dinheiro com a Copa!

Sabemos e respeitamos muito o amor que o povo brasileiro tem ao futebol.  Mas torcemos por um Brasil sem violência, um Brasil desmilitarizado, um Brasil com pessoas com casas ou terras para viver. Um Brasil que respeite e aprenda com as populações tradicionais como os indígenas, os quilombolas, os caiçaras... um Brasil que não tolere a homofobia, a violência contra as mulheres e o racismo, principalmente aquele impregnado na violência, inclusive policial, contra a juventude negra.

Falamos ao longo de 4 anos que não éramos contra a Copa ou o Futebol. Que os nossos problemas são as violações dos direitos humanos. Apostamos nesse clima de paixão pelo futebol para transbordar para a paixão pelas mudanças que o povo merece. Neste sentido, é possível conviver os protestos por uma cidade melhor com um campeonato de futebol. Muitas de nossas lutas neste período foram justamente para que a Copa não se tornasse de poucos. Lutamos pelo direito ao trabalho nos jogos, pelo livre direito de ir e vir e contra a política de higienização social.

A mesma população que apoiou as lutas desde junho de 2013 é a que hoje torce pelo Brasil na Copa. Os governos, as forças policiais, a FIFA e os grandes empresários tentam criar esta separação. Assim, além dos(as) que estão nas ruas, convidamos a todos(as) os(as) brasileiros(as) a expressarem seus desejos a vitória no futebol e no direito social, perguntamos e lançamos a campanha: que outras vitórias queremos para o Brasil?

ANCOP - Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa

 

 

 

Qui, 12 de Junho de 2014 20:22

Novidades em Alba Sud

Novidades em Alba Sud

 

Compartilhamos a edição especial Brasil 2014, uma publicação do Boletim Alba Sud, este é um trabalho em cooperação entre Alba Sud e a Secretaria regional JS/A e do Jubileu Sul Brasil.

Você pode ter acesso a mais informação clicando sobre os links indicados logo abaixo.

 

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Aos 11 de junho de 2014 o Batay Ouvriye que é uma organização parceira do Jubileu Sul Brasil, sediada no Haiti fez a entrega de uma Carta Aberta dirigida à Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, por meio do embaixador brasileiro, Sr. José Luis Machado E. Costa.

"CARTA ABIERTA A LA SEÑORA DILMA ROUSSEFF, PRESIDENTE DE BRASIL

Por medio del Señor Jose Luis Machado E. Costa, Embajador de Brasil en Haití

Señora Presidente,

En el marco de la Copa Mundial 2014 que se va a dar en Brasil, apoyamos sin reserva y les damos toda nuestra solidaridad a las movilizaciones del pueblo brasileño que reclama salud, educación, vivienda, mejores salarios, transporte gratis entre otras reivindicaciones... en vez de los billones gastados en estadios y logística para la Copa. Sabemos muy bien que el pueblo brasileño adora el futbol. Si se ha movilizado tanto en estas ocasiones, es que realmente debe estar harto..."


Ter, 10 de Junho de 2014 00:01

Dossiê "Copa para quem e para quê?"

Dossiê "Copa para quem e para quê?"

A escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo trouxe ao país a promessa de ganhos sociais e econômicos, embalados pela emoção do futebol. Mas às vésperas do Mundial, o real significado do megaevento para a população brasileira enfrenta uma onda de questionamentos.

 

Para melhorar a compreensão sobre o fenômeno, a Fundação Heinrich Böll (HBS) convidou jornalistas e especialistas para produzir análises sobre os gastos públicos, o legado real e simbólico e os custos sociais da realização do evento. O trabalho foi reunido no webdossiê

"Copa para quem e para quê?", que inclui reúne reportagens, artigos, mapas, gráficos, fotos e vídeos.

 

O material demonstra que teremos a Copa mais cara de todos os tempos, com 85% dos custos arcados pelos cofres públicos, além de grave impacto sobre a questão habitacional no país. A estimativa é que 200 mil pessoas já tenham sido ou estejam em processo de remoção forçada em função dos grandes projetos de mobilidade urbana inscritos nas matrizes de responsabilidade da Copa e das Olimpíadas de 2016. A criminalização dos movimentos sociais e a escalada de militarização da repressão do Estado também são elementos analisados. Assim como a mercantilização dos espaços públicos.

 

Dirigido ao público internacional, o webdossiê está disponível em português (http://br.boell.org/pt-br/dossie-copa-para-quem-e-para-que), alemão (http://www.boell.de/de/world-cup-fuer-wen) e inglês (http://www.boell.de/en/world-cup-whom-world-cup-what)

 

Mais informações com Rafael Rodrigues, assessor de imprensa

 

(21) 99284-6444/

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