O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro realizou manifestação em direção ao Maracanã no dia 30 de junho de 2013, no encerramento da Copa das Confederações, ou melhor, das Manifestações. Mais de 5mil pessoas foram às ruas, com a seguinte pauta:

 

DOMINGO EU VOU AO MARACANÃ!

Caminhada da Saens Peña até o Maracanã, com encerramento na Praça Afonso Pena

 

A NOSSA PAUTA É:

- PELA IMEDIATA ANULAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO DO MARACANÃ!

- Com isso, a reabertura do Parque Aquático Julio Delamare, reconstrução da pista do Estádio de Atletismo Célio de Barros, manutenção da Escola Friedenreich e devolução da Aldeia Maracanã para os indígenas! Por um Maracanã público e popular!

 

- PELO FIM DAS REMOÇÕES E DESPEJOS DE COMUNIDADES EM NOME DA COPA E OLIMPÍADAS! URBANIZAÇÃO JÁ!

- Pela permanência e urbanização da Vila Autódromo e a regularização fundiária do Horto e de todas as comunidades do Rio de Janeiro

 

- Dinheiro da Copa para Saúde e Educação. Contra a privatização da Saúde e da Educação

- Gestão democrática das cidades: construção de espaços efetivos de deliberação popular

- Passe livre. Por um transporte público que garanta o direito à mobilidade na cidade

- Não à repressão policial e ao uso de armas letais e menos letais! Pela desmilitarização da polícia

- Contra a criminalização dos movimentos sociais. Anistia aos presos nos atos contra os aumentos das passagens

- Democratização dos meios de comunicação

- Pelo direito ao trabalho e contra a repressão aos camelôs

- Contra a elitização do futebol. Por setores populares no estádio

- Contra a internação compulsória da população em situação de rua

IMPORTANTE: O caráter deste ato é pacífico. Afirmamos que é dever do Governo Estadual garantir o direito constitucional de ir às ruas protestar. Defendemos o direito de manifestação de todos. Acreditamos que temos que unir bandeiras, e não rasgá-las.

O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro reúne movimentos sociais, organizações, representantes de comunidades, pesquisadores e outras entidades e pessoas críticas à forma como estão sendo geridos os recursos e como estão sendo feitas as transformações urbanas para a Copa e as Olimpíadas na cidade. Esse ato foi construído por estas organizações e por outras entidades do Rio de Janeiro em plenárias. Respeitamos que sejam construídos outros atos em outros horários e apoiamos estas iniciativas.

 

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Qua, 03 de Julho de 2013 15:47

Polícia Militar Pra Quem?

Fonte: Agência Pública, 28/06/2013

Em todo o país haverá protesto na final da Copa das Confederações; em São Paulo, o foco é a desmilitarização da polícia que agride em remoções e atos públicos

A final da Copa das Confederações não será jogada apenas em campo. Fora do gramado do Maracanã, repaginado a um custo de 1 bilhão de reais para abrigar a elite “com ingresso”, os comitês populares da Copa – criados para defender os interesses da população nos megaeventos – preparam manifestações no Brasil inteiro, a começar pelo Rio de Janeiro, a sede da final Brasil x Espanha.

Ali está prevista uma caminhada saindo da praça Saens Peña, na Tijuca, até o Maracanã, com encerramento na Praça Afonso Pena. As principais reivindicações são a imediata anulação da privatização do Maracanã (reformado com dinheiro público), com a reabertura e reconstrução dos equipamentos públicos em seu entorno – o Parque Aquático Julio Delamare, o Estádio de Atletismo Célio de Barros, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Friedenreich – além da devolução da Aldeia Maracanã, o antigo Museu do Índio, simbolicamente ocupado por representantes de diversas etnias.

Igualmente importante é a reivindicação pelo fim das remoções e despejos em nome da Copa e das Olimpíadas – há 11 mil pessoas que correm o risco de perder suas casas no Rio – com destaque para a permanência e urbanização da Vila Autódromo, ameaçada pela construção do Parque Olímpico, e a regularização fundiária do Horto, encravado no bairro nobre do Jardim Botânico.

“Nós estamos abertos ao diálogo com a presidenta e sempre estivemos abertos ao diálogo com os governantes. Entregamos o Plano Popular da Vila Autódromo  ao Eduardo Paes no ano passado e até hoje não tivemos resposta” diz Renato Cosentino, membro da ANCOP (Articulação Nacional dos Comitês Populares).

Em São Paulo, que não faz parte das cidades-sede da Copa das Confederações mas tem sido um dos principais palcos dos protestos que tomaram o país nas últimas semanas, a principal palavra de ordem do Comitê Popular da Copa (SP Copa) é a desmilitarização da Polícia Militar, com ênfase no protesto contra a criminalização e repressão à população decorrente dos megaeventos. Com essas bandeiras, o comitê pretende fazer um ato no domingo às 15h no Vale do Anhangabaú na Fan Fest, espaço de eventos públicos onde se realizam os jogos da Copa em São Paulo.

A desmilitarização da PM é uma pauta que “atravessa todas a outras pautas dos movimentos sociais no Brasil” diz Juliana Machado, representante do SP Copa. “As remoções forçadas é a polícia que executa; a perseguição aos ambulantes é a polícia que faz, a população de rua é a polícia que age de maneira truculenta, enfim, a própria repressão aos movimentos sociais” explica.

O Comitê Popular da Copa também lançou um manifesto destacando  que “entre 2000 e 2011, foram mais de 4.600 mortos pela PM em São Paulo, considerando apenas as denúncias que chegaram até a Ouvidoria da própria corporação”. E chama a atenção para a expansão dessa violência na onda de protestos do país: já no dia 13 de junho, nas primeiras manifestações, “200 pessoas foram presas e muitas outras feridas – entre elas, 20 jornalistas, com um deles tendo perdido a visão de um olho”.

O que, segundo o manifesto, vai se agravar na Copa 2014. A Força Nacional de Segurança, que reúne polícias militares de diversos estados, esteve presente em 5 das 6 cidades-sede da Copa das Confederações: Rio de Janeiro, Salvador, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza. Daqui a um ano, essas forças ocuparão as 12 cidades-sede da Copa da FIFA “e as notícias de violência nas manifestações que recebemos hoje certamente se repetirão”, afirma.

Lembrando os acontecimentos recentes em Brasília, em que o recrudescimento da repressão policial contra os manifestantes foi anunciado na segunda-feira passada pelo tenente coronel da PM Zilfrank Antero, Juliana Machado diz: “A gente tá percebendo que as forças armadas estão cada vez mais presentes no cotidiano das cidades, qualquer problema político elas são chamadas a intervir. Mas em vez de coibir a violência, a PM faz parte dessa violência”. E acrescenta: “A PM é uma instituição militar e isso faz com que tenha pouco ou nenhum controle externo”. Ou, como afirma o comunicado: “Porque não se trata de maus policiais ou de falta de preparo: é a própria existência de uma polícia com caráter militar, oriunda da ditadura também militar, que tem que ter um fim.”

Não somos contra o futebol

Criados a partir de 2010, os comitês populares estão presentes nas 12 cidades-sede da Copa 2014. E fazem questão de dizer: eles não são contra a Copa do Mundo e menos ainda contra o futebol. “Para nós o problema maior é que o Estado está se endividando mas não são os setores sociais que estão recebendo os benefícios”, enfatiza Juliana. Por isso o Comitê Popular de São Paulo incluiu uma bola e uma rede para jogar futebol durante o ato de domingo:  a brincadeira é tentar pegar o goleiro vestido de PM de surpresa, chutar a bola e marcar um gol para o povo.

Perguntada como repercutiu entre o movimento o discurso da presidenta Dilma com promessas de maior investimento em transporte, saúde e educação, plebiscito para reforma política e penas mais duras para corruptos, Juliana responde: “Nenhuma das propostas realiza aquilo que a gente precisa, ela prometeu mais dinheiro pro transporte, mas a gente não sabe se vai ser transporte público mesmo. Ela não disse nada em relação à possibilidade do transporte ser gratuito; também falou sobre um plebiscito que pode ser interessante, mas vai ser necessário esclarecer sobre o que vai ser essa reforma política”.

Sobre a posição do governo nos megaeventos é mais dura: “Com relação às demandas da Copa, a presidente mentiu. Disse que não havia gasto público na Copa, mas só no estádio Mané Garrincha houve mais de 1 bilhão de reais, e o Estado brasileiro está se endividando. A presidente deixou de falar sobre a questão da Copa porque a mídia tradicional não está ouvindo a verdadeira pauta dos movimentos sociais – os ambulantes, as remoções, a violência e o uso das forças militares na segurança desses eventos, a criação de zonas de exclusão em torno dos estádios… A presidente simplesmente não ouviu a voz das ruas”.

Além de Rio de Janeiro e São Paulo, os comitês de Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Brasília já têm atividades de protesto programadas para o final da Copa das Confederações. Natal e Belo Horizonte ainda estavam discutindo na sexta-feira eventuais atividades para o domingo. Na capital mineira, após a violência policial durante a semifinal da Copa das Confederações nessa quarta-feira, o Comitê Popular de Atingidos pela Copa (COPAC) propôs uma atividade mais lúdica para o domingo, dia da final da competição. “Vai ter um ato, mas ainda temos que decidir isso na Assembleia Popular Horizontal hoje a noite (sexta-feira)”, diz Amanda Couto, integrante do COPAC.

Remoções, expulsão de ambulantes, gasto público: bandeiras do domingo

Em Salvador, onde ocorre a disputa pelo 3o e 4o lugar, a manifestação seguirá até o estádio Fonte Nova reivindicando transparência nos gastos públicos, legado das obras para a população, liberdade e expressão e trabalho para os ambulantes (com destaque para as baianas do acarajé) e denunciando a “higienização do centro de Salvador”, que segundo o Comitês, tem expulsado moradores de rua e prostitutas.

Na capital gaúcha, o tema central é a luta contra as remoções e está prevista uma caminhada na Avenida Tronco, onde o projeto Corredor Avenida Tronco, ligado à Copa de 2014, ameaça o direito à moradia de 4 mil pessoas, segundo levantamento da Prefeitura de Porto Alegre. Em Curitiba, onde o ato acontece no sábado, as remoções, principalmente da comunidade Nova Costeira, ameaçada pelas obras do aeroporto, também são o foco do protesto. Os moradores não querem sair dali para as unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida, como propõe o poder público. “Os moradores avaliam que as casas do Minha Casa Minha Vida são piores que as casas que eles já tem”, afirma Isabela Cunha, integrante do Comitê.

Em Brasília a manifestação está marcada para às 13h, em frente ao Conjunto Nacional. Entre as pautas dos manifestantes estão: a restituição dos R$ 2,8 milhões gastos na compra de ingressos para a final da Copa das Confederações pela TERRACAP, companhia imobiliária do governo do Distrito Federal; a restituição da verba pública gasta no estádio Mané Garrincha; o fim das remoções; o fim da exploração sexual relacionada ao mundial e a precariedade do transporte público. A manifestação vem sendo organizada pelo Comitê Popular da Copa no Distrito Federal pelo Facebook.

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A absurda decisão da Prefeitura do Rio de permitir a construção de um campo de golfe na Área de Preservação Ambiental (APA) de Marapendi receberá uma resposta da população neste sábado, dia 23, em um protesto na Avenida das Américas, a partir das 14 horas. Mais de 500 pessoas são esperadas no ato, que vai expor as reais intenções do projeto, divulgado como um equipamento para as Olimpíadas de 2016, mas que esconde uma manobra para beneficiar a especulação imobiliária da região, uma vez que a autorização da prefeitura para destruição da área também inclui a permissão de construção de 22 duas torres de 22 andares no local.

Há diversos argumentos para impedir a construção no local, todos completamente ignorados pela prefeitura. Existe, por exemplo, o claro descumprimento da Constituição Federal, que define a Mata Atlântica – bioma ao qual pertence a Reserva – como Patrimônio Nacional (Lei 11428/2006). A degradação da APA de Marapendi altera toda a biodiversidade local, contribuindo para extinção de espécies ameaçadas, além de interferir na drenagem da água das chuvas, colaborando com o aumento de enchentes. A maior concentração populacional também comprometerá ainda mais a mobilidade urbana na região, além de aumentar a poluição, pois a Zona Oeste não conta com uma infraestrutura de saneamento básico compatível com a demanda.

Além disso, houve também a mudança de leis ambientais em processos arbitrários na Câmara de Vereadores. O Projeto de Lei Complementar (PLC) 113/2012, que libera a APA para a construção do campo de golfe e altera o gabarito das áreas edificáveis, foi submetido a um regime de votação imediata em dezembro de 2012. Ele foi aprovado pela base aliada do prefeito Eduardo Paes sem tempo para debate das emendas (ou até mesmo a constitucionalidade da proposta) e a despeito das críticas da população, que lotou as galerias da Casa no dia da votação.

Apesar de a cidade já contar com dois campos de golfe que poderiam ser adaptados para as Olimpíadas, a prefeitura insiste em levar adiante esse projeto mesmo se tratando de uma área que se encontra em litígio no Superior Tribunal de Justiça. A própria chefe da Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (COI), a marroquina Nawal El Moutowakel, foi notificada por um oficial de Justiça de que a posse do terreno está sob disputa, no dia 19 deste mês.

Por todas essas razões, a população pergunta à prefeitura, o gofe é para quem?

1° Protesto Político-Cultural “Golfe para quem?”
Dia 23 de fevereiro, às 14h,em frente à Estação BRT “GolfeOlímpico”,
na Avenida das Américas, km 10, da Barra da Tijuca

 

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Fonte: Sul 21, Samir Oliveira, Igor Natusch, Ramiro Furquim e Felipe Prestes

Uma manifestação que reuniu centenas de pessoas em frente à prefeitura de Porto Alegre na noite desta quinta-feira (4) começou de forma pacífica e acabou terminando em uma verdadeira guerra campal. Centenas de jovens e artistas de rua protestavam por uma cidade “mais alegre”, mas terminaram a noite sob forte repressão da Brigada Militar.

 Guardas Municipais negaram problemas com os manifestantes: não houve tentativa de invasão ao prédio da prefeitura | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

A reportagem do Sul21 esteve no ato durante quase toda a noite e pôde observar que a manifestação transcorria de forma pacífica e animada. Os manifestantes estavam dançando, cantanto e gritando palavras de ordem contra o prefeito José Fortunati (PDT) – acusado de ter privatizado diversos espaços públicos de Porto Alegre, como o Largo Glênio Peres e o auditório Araújo Vianna, ambos patrocinados pela Coca-Cola.

Quando a reportagem deixou o local por volta das 23h30min, a manifestação ainda ocorria de forma pacífica e bastante festiva, sem nenhum tipo de confronto. Mais de 20 guardas municipais faziam a defesa da entrada da prefeitura e exatos 19 policiais militares – agrupados em quatro viaturas e três motocicletas – faziam a defesa do mascote da copa do mundo, um boneco gigante de um tatu patrocinado pela Coca-Cola que estava colocado no Largo Glênio Peres.

Pouco depois que a reportagem deixou o local, os ativistas resolveram se dirigir ao Largo Glênio Peres para protestar em frente ao boneco da Coca-Cola. De acordo com diversos relatos de pessoas que estavam no local, os brigadianos permaneceram imóveis diante da aproximação da multidão.

Segundo os manifestantes, os brigadianos permitiram que as pessoas pulassem a grade de contenção do mascote para, então, começarem a reprimi-las. A partir daí, os relatos são de que houve uma verdadeira batalha campal.

Roberta Santiago e Tamires Marchetti esperavam por notícias de uma amiga que estava presa. Elas contam que o ato ocorria pacificamente, quando manifestantes decidiam dançar em volta do tatu, local onde se concentrava o contingente de policiais. Segundo as jovens, apenas cerca de cinco pessoas furaram o bloqueio para tentar vandalizar o mascote, mas isto desencadeou um conflito generalizado. Policiais agrediram não só as que invadiram a área onde fica o mascote, mas também as pessoas que dançavam em volta. Outros que não haviam apanhado, tomaram as dores de agredidos e jogaram latas ou tentaram defender amigos. Houve correria e quebra-quebra em prédios próximos. Testemunhas dizem ter ouvido barulhos de bomba de efeito moral e tiros de borracha.

Tamires conta que a amiga presa foi agredida por estar registrando o confronto. “Ela estava filmando com o celular, foi jogada no chão. Policiais bateram nela e a prenderam. Torceram o braço dela até quase quebrar. Depois, disseram que nós só poderemos falar com ela amanhã e não deixaram nem o advogado entrar no posto”. Roberta diz que também foi agredida. “Um policial me deu um chute, me pegou pelo braço e me chamou de vadia”.

Para defender o boneco representando o mascote da Copa 2014 – que chegou a ser derrubado -, foram deslocados cerca de 60 policiais militares do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 9º Batalhão de Polícia Militar, além de tropas da Guarda Municipal. Os policiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo, dispararam tiros com munição não-letal e partiram para cima dos manifestantes com seus cassetetes. Os relatos informam que sequer os jornalistas presentes foram poupados. Pelo menos três, que estavam devidamente identificados com seus crachás, foram agredidos: um fotógrafo do jornal Zero Hora, um repórter do Correio do Povo e um repórter da Rádio Guaíba.

De acordo com alguns manifestantes ouvidos pela reportagem, as mulheres foram agredidas com puxões pelos cabelos, além de xingamentos de policiais que as chamavam de “vagabundas”. Após o tumulto, já com reforços no local, a polícia ordenou que todos de ajoelhassem no chão.

O repórter fotográfico do Sul21, Ramiro Furquim, chegou ao local após o confronto e presenciou o momento em que a SAMU chegou para atender os feridos. “A SAMU buscou um cara que estava com um machucado aberto na cabeça”, relatou.

Por volta da meia-noite, seis pessoas estavam detidas dentro do posto da Brigada Militar, contíguo ao Largo Glênio Peres, e duas em uma viatura, segundo o Coronel Freitas. Do lado de fora, parentes e amigos tentavam falar com os detidos, mas eram impedidos de entrar no posto. Era possível ver que lá dentro havia um jovem com a cara toda ensanguentada. Depois de momentos de pressão, o coronel informou que os detidos que estivessem reclamando de dores seriam levados ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) e, em seguida, ao Palácio da Polícia. Os que não precisassem de cuidados médicos iriam direto para o este último local. O coronel afirmou que poderia elencar muitos motivos para as detenções: “Desordem, dano, agressão, lesão corporal. Teria uma lista”, disse.

Até o momento, as informações mais precisas dão conta de que a Brigada Militar prendeu seis pessoas e de que cerca de 20 manifestantes estão feridos e recebendo cuidados médicos no Hospital de Pronto-Socorro.

Os manifestantes já colocaram no YouTube um vídeo com o momento em que o boneco foi derrubado: http://youtu.be/WPFN6wjGxw8

Atualização (10h55): Aqui, um vídeo com imagens extremamente claras: http://youtu.be/4N6L8pXlR3g

ATUALIZAÇÃO (3h24): No momento, alguns manifestantes já foram encaminhados ao Palácio de Polícia. Segundo a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), que está no Hospital de Pronto Socorro, são 14 feridos que se encontram no local, embora a polícia não saiba informar quantos deles estão sob custódia. Os números ainda não foram confirmados pelo HPS.

Relatos recebidos pela reportagem dão conta de que pessoas foram perseguidas além do Largo Glênio Peres pelas forças policiais, sendo vítimas de agressões. Guiga Narciso foi alvejado por balas de borracha na Andradas, quase Borges de Medeiros, e garante que estava indo para casa quando ele e seu grupo foram cercados por policiais. Ao tentar proteger uma amiga, foi alvo dos disparos. Ele está no HPS para remover estilhaços da bala alojados em seu pescoço. “Eu fico pensando: quem é a policia da polícia? Vou fazer uma ocorrência para quem, para eles mesmos (policiais)?”, lamenta.

ATUALIZAÇÃO (05h01): Alguns manifestantes encontram-se neste momento no Palácio da Polícia, sob acusações de dano ao patrimônio e agressão.

Mais informações no decorrer da madrugada. Se você tem relatos sobre o acontecido e deseja contar o que viu, entre em contato com a reportagem via Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.