24/05/2012  Fonte: Pela Moradia

 

A Associação de Moradores e Pescadores da Vila Autódromo – AMPVA, CNPJ 30.122.410/001-76, situada na Avenida do Autódromo n. 16, baixada de Jacarepaguá, na cidade do Rio de Janeiro, através de seu presidente Altair Guimarães, e os demais moradores (as), repudia a matéria vinculada no jornal O Globo publicada no dia 10 de maio de 2012, quinta-feira, no caderno Barra (n. 2.242).

A matéria, assinada por Leandra Lima, deturpa e distorce as informações cedidas gentilmente pelo presidente da AMPVA, bem como da moradora Sandra Isidoro. Altair Guimarães jamais disse que aceitariam ser transferidos para o Parque Carioca, muito menos, declarou que o problema nesse processo seria o “temor que residentes de outras comunidades também sejam transferidos” (p. 13) para lá. A remoção não é um caminho aceito pelos moradores do bairro, assim como nenhum deles disse que não pretendem dividir o espaço com moradores de outras comunidades. A edição do O Globo, não demonstra fidelidade às informações fornecidas por Altair Guimarães, utilizou o discurso da liderança de modo incorreto ao realizar comparações indevidas da Vila Autódromo com outras comunidades do Rio de Janeiro. Os moradores da Vila Autódromo são conhecidos por sua resistência e pelo respeito às comunidades menos favorecidas da cidade que, como eles, lutam pelos seus direitos.

Não existe, entre os moradores da Vila Autódromo, nenhum tipo de problema com relação aos moradores de outros bairros citados na reportagem já que muitos deles os frequentam pelo simples fato ser o endereço de seus familiares, como é o caso, por exemplo, da Cidade de Deus, Morro dos Macacos e Santa Cruz. E o presidente da AMPVA não considera, como a matéria leva a crer, que o tráfico de drogas ou milícia são consequências da falta de organização dos moradores dos outros bairros, pois estes também são vítimas dessa situação.

Além disso, a resistência dos moradores não se faz em função do limitado tamanho das moradias impostas pela Prefeitura no futuro condomínio Parque Carioca, como também consta na mesma matéria do jornal O Globo. O fato de permanecer no bairro articula a luta por direitos, a luta por participação das decisões sobre a organização dos espaços da cidade e, por fim, a luta pela afirmação da dignidade humana.

A matéria de Leandra Lima foi uma tentativa de diminuir a complexidade que incorpora a Vila Autódromo. A permanência na Vila Autódromo é legítima e uma luta que atravessa décadas. Ali se reivindica a permanência do bairro com a urbanização do lugar onde seus moradores pagam impostos, trabalham, se organizam, propõem e cobram do poder público.

Por isso, a AMPVA tem elaborado conjuntamente com o Núcleo Experimental de Planejamento Conflitual (ETTERN/IPPUR/UFRJ) o “Plano Popular da Vila Autódromo”, que propõe a urbanização como saída democrática e mais barata à remoção. O plano contem os seguintes projetos: habitacional, de educação, saneamento e meio ambiente, economia local, transporte e desenvolvimento cultural. Cabe lembrar que a equipe técnica do Plano Popular da Vila Autódromo, formado por especialistas do Núcleo Experimental do Planejamento Conflitual (ETTERN/IPPUR/UFRJ), garante o desenho urbanístico do bairro como ocupação consolidada, ao contrário do que indica a reportagem. Para a efetivação do citado Plano a pequena parcela dos moradores que moram na faixa de 15 metros da Lagoa de Jacarepaguá propuseram, eles próprios, a mudança de suas casas para outra região do bairro.

Os moradores da comunidade não são contra a realização da Copa e das Olimpíadas, só reivindicam o direito de continuarem morando no lugar onde construíram suas histórias e seus vínculos afetivos.

A Vila Autódromo é um bairro marcado para Viver!

Viva a Vila Autódromo!

ASSOCIAÇÃO DE MORADORES E PESCADORES DA VILA AUTODROMO – AMPVA.

 

Rio de Janeiro, 16 de maio de 2012.

 

Publicado em Remoções e Despejos
Sex, 06 de Abril de 2012 09:55

A Missed Opportunity in Rio

Fonte: New York Times, The Opinion Pages, 03/04/2012 (somente em inglês)

Theresa Williamson, a city planner, is the founder and executive director of Catalytic Communities, a Rio de Janeiro-based organization that provides media and networking support to favela communities and publishes RioOnWatch.

Rio de Janeiro is preparing to host the World Cup in 2014 and the Olympics in 2016, and these mega-events give the nation’s elite a chance to speed up whatever strategies were already on their wish lists. In Rio, where real estate interests control the city’s politicians and media, decisions are made on their behalf.

About 1.2 million people, or 22 percent of Rio’s population, live in favelas. The only affordable housing solution capable of meeting Rio’s needs is to improve services and integrate the favelas; replacing them is not an option. Since the late 1800s, migrants have settled unoccupied land in and around Brazil’s cities. Residents invest heavily in their homes, over generations, even if a family does not hold a title to the land. These favela dwellers faced eviction during the military dictatorship from the ’60s to the ’80s but achieved a significant victory in 1988, when Brazil’s constitution established five years as the term for “adverse possession,” the process of acquiring ownership through use rather than through payment.

In preparing for the World Cup and the Olympics, Rio could make long-term investments and integrate the favelas. Instead it is aggravating its problems.

Much has been accomplished. A recent study of 92,000 people across six pacified favelas showed 95 percent of homes were brick and concrete, 75 percent had tile floors, 44 percent had computers, and 90 percent of working-age residents were employed. As the Chinese diplomat Sha Zukang exclaimed on a recent visit, “This is not a slum!”

In preparing for the World Cup and the Olympics, the city has an opportunity to make long-term investments and integrate the favelas, by providing the missing support services like education, job training, health care, day care and sanitation, in addition to security and land title. Instead, interventions toward the favelas are taking two counterproductive forms.

First, smaller, unknown, often peaceful communities occupying now-valuable land are forcibly evicted under the pretext of mega-event development, often with no clear justification. Residents are relocated to small, vertical, isolated public housing units two hours from the city center. There are also notable cases of evictees left homeless or starting over on newly squatted land. It is estimated that 170,000 people will be evicted “for” mega-events across Brazil.

Second, larger, well-known communities are receiving “integration” programs, mainly police pacification units. This increased police presence makes a favela safer, and thus makes the land more valuable and the rents higher. This is followed by the formalization of local businesses and payments for utilities. Next up is land title. The result: a fast track to gentrification, publicly funded under the auspices of “combating poverty” and “integrating the city.”

Rio will apparently be “made safe for the Olympics” by pushing its lowest-income residents to peripheral areas, where crime is also heading. Here in Brazil, and especially in Rio, we have a tradition of inequality — and its natural consequence, crime — and it appears the upcoming mega-events will only exacerbate it.

It would be much more creative, cost-effective and empowering if resources were targeted to participatory integration. That would be an Olympic legacy to be proud of: Rio would offer a model to be applied around the globe. With U.N.-Habitat predicting that 3 billion people will live in slums by 2050, the world could use such leadership.

Publicado em Remoções e Despejos